Nova técnica promete desobstruir artérias calcificadas sem o uso de stents
Nova técnica promete desobstruir artérias calcificadas sem o uso de stents

Nova técnica promete desobstruir artérias calcificadas sem o uso de stents

Uma nova abordagem terapêutica, desenvolvida em parceria entre o Hospital Israelita Albert Einstein e pesquisadores da Universidade de Verona, na Itália, tem se mostrado promissora no tratamento de artérias coronárias calcificadas, especialmente as de pequeno calibre, sem a necessidade de implante de stents. A calcificação das artérias coronárias é um fator de risco significativo para […]

Resumo

Uma nova abordagem terapêutica, desenvolvida em parceria entre o Hospital Israelita Albert Einstein e pesquisadores da Universidade de Verona, na Itália, tem se mostrado promissora no tratamento de artérias coronárias calcificadas, especialmente as de pequeno calibre, sem a necessidade de implante de stents. A calcificação das artérias coronárias é um fator de risco significativo para doenças cardíacas, associada à aterosclerose e ao aumento da rigidez dos vasos, o que eleva a probabilidade de eventos como o infarto.

A cardiologia intervencionista tem buscado alternativas para lidar com a calcificação arterial, um desafio que se acentua em artérias de menor diâmetro (inferior a 3 milímetros), onde o uso de stents pode acarretar complicações relacionadas à cicatrização e reobstrução. A nova técnica visa superar essas limitações, oferecendo uma alternativa menos invasiva e com menor potencial de complicações a médio prazo.

A metodologia combina duas etapas. Inicialmente, utiliza-se a litotripsia intravascular, um procedimento que emprega ondas sonoras emitidas por um balão para fraturar o cálcio depositado nas artérias, restaurando sua elasticidade. Este princípio é semelhante ao utilizado na fragmentação de cálculos renais. Posteriormente, um balão farmacológico é inflado no local tratado, liberando medicamentos diretamente na parede arterial. O objetivo é reduzir o risco de novas obstruções decorrentes do processo de cicatrização, eliminando a necessidade de implante de material permanente.

Alternativa para vasos de pequeno calibre

O cardiologista intervencionista Guy Fernando de Almeida Prado Junior, um dos envolvidos no desenvolvimento da técnica, destaca a importância de ter alternativas ao stent. “Os stents coronários são muito importantes na medicina, mas parte dos pacientes pode apresentar novas obstruções no mesmo local tratado e, nesses casos, ter o stent já instalado pode ser um complicador. Por isso, ter outra forma de tratar a aterosclerose e sua calcificação é um horizonte tão animador para nós”, afirma.

O cardiologista Pedro Lemos, diretor de Cardiologia do Einstein, explica que o termo “descalcificação” não descreve totalmente o processo. “Não estamos retirando cálcio das artérias, mas reduzindo a sua rigidez, devolvendo maleabilidade a elas”, detalha. Ele compara a artéria calcificada a um “bloco de mármore” que, com a vibração das ondas sonoras, é fraturado para permitir o fluxo sanguíneo.

Resultados iniciais e próximos passos

A abordagem foi aplicada em 50 pacientes no Brasil e na Itália, e os resultados foram apresentados no congresso EuroPCR, em Paris. A técnica mostrou-se eficaz em 88% dos casos, sem complicações observadas no médio prazo. Um acompanhamento de seis meses após o procedimento indicou que os resultados se mantiveram, com a artéria mantendo seu calibre ou até mesmo sendo ampliada em alguns casos, um desfecho considerado raro para intervenções desse tipo.

Apesar do otimismo, os pesquisadores ressaltam que são necessários estudos de longo prazo para confirmar a segurança e eficácia da nova técnica. “Precisamos de novas pesquisas para saber como os pacientes estarão cinco, dez anos após o procedimento para avaliar como é o seu resultado a longo prazo”, pondera Lemos. A expectativa é que estudos comparativos com populações maiores e com acompanhamento prolongado estabeleçam o papel definitivo dessa alternativa terapêutica, especialmente em casos de artérias de menor calibre, onde o stent apresenta maiores desafios.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Hospital Israelita Albert Einstein e apresentados no congresso EuroPCR.

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