Uma equipe internacional de cientistas desembarcou na ilha de Nikumaroro, no Oceano Pacífico, com o objetivo de encontrar pistas definitivas sobre o desaparecimento de Amelia Earhart. A aviadora pioneira e seu navegador, Fred Noonan, sumiram em julho de 1937 durante uma tentativa de circunavegar o globo. A nova expedição foca em uma misteriosa formação detectada em imagens de satélite, que pode corresponder aos restos do Lockheed Electra de Earhart.
A busca, liderada pela Universidade Purdue e pelo Instituto do Legado Arqueológico, chega quase nove décadas após o evento que capturou a imaginação do mundo. Amelia Earhart, já uma figura célebre por ter sido a primeira mulher a cruzar o Atlântico sozinha de avião em 1932, desapareceu em pleno voo, tornando-se um ícone de coragem e um dos maiores enigmas não resolvidos do século XX.
A Universidade Purdue possui uma ligação histórica com Earhart, que atuou como orientadora de carreiras para mulheres e consultora técnica na instituição a partir de 1935. A fundação de pesquisa da universidade também contribuiu para o financiamento da aeronave utilizada em sua última e fatal jornada.
Nikumaroro, uma ilha de baixa altitude que faz parte de Kiribati, é considerada um local provável para o fim de Earhart e Noonan desde os anos 1980. O casal decolou da Nova Guiné em 2 de julho de 1937, com destino à ilha Howland, onde planejavam reabastecer. No entanto, algo deu errado na rota. Apesar de a Guarda Costeira dos EUA ter captado sinais de rádio indicando a proximidade do avião, a dupla nunca foi localizada.
Evidências anteriores e novas esperanças
Pesquisadores do Grupo Internacional para Recuperação de Aeronaves Históricas (Tighar) foram os primeiros a sugerir, em 1988, que Earhart poderia ter pousado em Nikumaroro. Ao longo de várias expedições subsequentes, o Tighar relatou a descoberta de artefatos como fragmentos de alumínio, um frasco de perfume, um zíper fabricado nos anos 1930 e partes de um canivete. Em 1940, restos mortais encontrados na ilha foram inicialmente considerados como possivelmente pertencentes a Earhart ou Noonan, mas acabaram desaparecendo.
A atual expedição deposita grande esperança em uma anomalia detectada em imagens de satélite após um ciclone em 2015 ter alterado a geografia da ilha. A formação, localizada em águas rasas próximas a um promontório, apresenta o tamanho e a forma que poderiam corresponder à fuselagem e às asas do Lockheed Electra. A equipe planeja usar drones, magnetômetros e sonar para investigar o local e, se necessário, uma draga hidráulica para remover sedimentos.
Divergências e teorias alternativas
Nem todos compartilham do otimismo quanto à nova pista. Ric Gillespie, diretor-executivo do Tighar, expressou ceticismo, afirmando que o objeto nas imagens de satélite não se assemelha a destroços de aeronave, mas sim a um pândano morto. Ele também questiona a viabilidade de destroços estarem soterrados, dada a pouca profundidade do lodo na área.
A especialista Dorothy Cochrane, que acompanhou as buscas por Earhart por mais de 35 anos, levanta outra hipótese. Ela argumenta que, com o combustível já escasso, seria impossível para Earhart ter percorrido a distância até Nikumaroro. Cochrane acredita que a aviadora e seu navegador podem ter caído no mar perto da ilha Howland, onde o avião teria afundado em águas profundas.
Apesar das divergências, a expedição atual representa um esforço renovado para resolver um dos mistérios mais persistentes da aviação. Se a formação nas imagens de satélite se confirmar como os destroços do Electra, poderá finalmente encerrar o enigma que intriga o mundo há quase um século.
