A tecnologia por trás das luzes que prometem revolucionar o skincare
Máscaras de LED, que emitem luzes coloridas e prometem melhorar a saúde e aparência da pele, tornaram-se um item de desejo popularizado por influenciadores e celebridades. A tecnologia, conhecida como fotobiomodulação, utiliza luzes de comprimentos de onda específicos para estimular as células da pele, promovendo benefícios como o aumento da produção de colágeno e a redução de inflamações. Apesar do apelo visual, a eficácia e segurança desses dispositivos dependem de fatores técnicos e do uso correto.
O mecanismo de ação envolve a absorção das partículas de luz pelas células, o que, segundo especialistas, estimula a produção de oxigênio e cálcio. Clinicamente, os resultados observados incluem melhora na textura da pele, qualidade e redução de linhas finas. No entanto, é crucial entender que o efeito de produção de colágeno não é instantâneo e requer doses adequadas e repetição do tratamento. A tecnologia também pode auxiliar na recuperação pós-procedimentos a laser, conferindo viço à pele.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por Marcia Linhares, coordenadora do departamento de laser da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), e Thiago Cunha, dermatologista do Espaés;cio Arquétipo.
As cores e seus efeitos comprovados
A escolha da cor da luz emitida pela máscara não é meramente estética; cada tonalidade possui uma função terapêutica específica com comprovação científica. As mais relevantes são a luz vermelha, azul e o infravermelho próximo. A luz azul atua em camadas mais superficiais da pele e é indicada para o tratamento de acne leve a moderada. Já a luz vermelha possui propriedades anti-inflamatórias, sendo benéfica para acalmar a pele.
O infravermelho próximo, por sua vez, tem maior capacidade de penetração na pele e é empregado para acelerar o processo de cicatrização de feridas. Um estudo publicado no JAMA Dermatology em 2025, que analisou LEDs domésticos nas cores azul e vermelha, demonstrou uma redução significativa nas lesões de acne, tanto inflamatórias quanto não inflamatórias, em comparação com um grupo controle. Os ensaios envolveram um número considerável de participantes e variaram em tempo e frequência de uso.
Diferenças entre o uso profissional e doméstico
É fundamental distinguir entre os equipamentos de alta potência utilizados em clínicas dermatológicas e as máscaras disponíveis para uso em casa. As versões domésticas geralmente possuem menor potência, e a pesquisa sobre sua eficácia ainda é limitada. A efetividade da terapia com LED é influenciada por diversos fatores, incluindo o comprimento de onda da luz, a irradiância e a fluência. O comprimento de onda, que determina a profundidade de penetração na pele, varia significativamente entre as cores: cerca de 630 a 660 nanômetros para a luz vermelha e em torno de 400 nanômetros para a luz azul.
Um aparelho com múltiplos LEDs coloridos ou um design atraente não garante, necessariamente, um bom desempenho. A potência, embora importante, não é o único fator determinante para o resultado. As máscaras caseiras devem ser vistas como um complemento aos cuidados rotineiros com a pele, e não como substitutas de tratamentos médicos. Os resultados, quando ocorrem, tendem a ser modestos e graduais, surgindo geralmente após 8 a 12 semanas de uso contínuo.
Como escolher e usar sua máscara de LED
Com a popularização impulsionada pelo k-beauty e pelas redes sociais desde os anos 2010, a busca por máscaras de LED domésticas aumentou. Ao adquirir um produto, é recomendável procurar por aqueles com registro em órgãos reguladores como a Anvisa no Brasil, ou equivalentes como o FDA em outros países. Informações técnicas detalhadas sobre comprimento de onda, potência e irradiância são essenciais, pois muitos produtos falsificados podem não oferecer nenhum benefício.
Desconfie de aparelhos que informam apenas a cor da luz e tenha cautela com preços excessivamente baixos. Na hora do uso, a pele deve estar limpa e livre de outros produtos cosméticos. O tempo de aplicação geralmente varia entre 10 a 15 minutos, sendo sugerido o uso de três vezes por semana. Após a sessão, a aplicação de um sérum e a continuidade da rotina de skincare são indicadas, mas evite o uso de ácidos, pois a pele pode ficar mais sensível.
É importante proteger os olhos, especialmente da luz azul, embora os aparelhos costumem vir com proteção. Pessoas com doenças fotossensíveis, epilepsia, sensibilidade à luz ou que utilizam medicamentos fotossensibilizantes devem evitar o uso. Efeitos colaterais como vermelhidão, calor, ressecamento ou irritação são incomuns, mas podem ocorrer. A higienização do aparelho com álcool 70% após o uso, evitando contato com água, é parte da manutenção correta.