Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atacou o modelo de escolas cívico-militares nesta quarta-feira (14), classificando-as como uma das “loucuras” que ainda persistem na política brasileira. A declaração foi feita durante evento de assinatura do decreto que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos, no Palácio do Planalto, e ocorre a menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais.
Em seu discurso, Lula exemplificou a crítica ao dizer que algumas pessoas argumentam: “Não gosto disso, não presta, vai ensinar bobagem para o meu filho, porque quero uma escola cívico-militar, porque eu não quero banheiro unissex”. O presidente enfatizou a dificuldade em construir programas e políticas públicas, contrastando com a rapidez com que podem ser desmantelados, e apelou para que os jovens se organizem para preservar as conquistas sociais.
“Se preparem, porque fazer é difícil, para destruir, é apenas um passo. É um passo”, alertou Lula, incentivando a mobilização juvenil. Ele também declarou, em tom enfático, que “tem maluco pra tudo, não é só maluco beleza”, em referência a propostas que considera absurdas.
Marco Legal dos Jogos Eletrônicos
O evento no Palácio do Planalto serviu para a regulamentação do Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos. O decreto estabelece normas para o desenvolvimento, fabricação e comercialização de games no país, além de prever incentivos para a produção nacional. Entre as medidas estão a possibilidade de captação de recursos via Lei Rouanet, com a criação do programa Rouanet Games, e uma chamada pública de R$ 200 milhões da Finep para apoiar startups e projetos inovadores no setor.
O governo também anunciou a criação de cursos de graduação em jogos eletrônicos em cinco universidades federais, ações de capacitação profissional e medidas de proteção aos usuários, especialmente crianças e adolescentes. A regulamentação visa ainda simplificar procedimentos de importação, proteger a propriedade intelectual e ampliar a divulgação de jogos desenvolvidos no Brasil.
As declarações de Lula sobre as escolas cívico-militares ocorrem em um contexto de acusações mútuas com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário no segundo turno. O presidente tem acusado o senador de pretender o fim de programas sociais como o PÉ-de-Meia, o Minha Casa, Minha Vida e a Farmácia Popular, alegações que têm sido negadas pela campanha do PL. As informações foram reunidas a partir de declarações oficiais do governo federal e reportagens da imprensa.
