Idosa morre após ser submetida a cirurgia errada em hospital de Campinas
A neta de Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, lamentou a perda da avó, que faleceu após ser submetida a uma cirurgia equivocada no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP). O procedimento, realizado em 8 de junho, era destinado a outra paciente. “Se minha avó ia viver mais um dia, dois, três, quatro ou cinco, não importa. A gente não teve a chance de saber”, afirmou Camila Barozzi em entrevista. O hospital reconheceu o erro, abriu uma sindicância e demitiu a equipe envolvida no caso.
O incidente começou com uma aparente falha na administração de medicamentos logo na chegada da idosa ao pronto-socorro no dia 7 de junho. Segundo Camila, Jandira foi levada ao hospital com dores abdominais e diagnosticada com obstrução intestinal. Os médicos optaram por um tratamento clínico, evitando cirurgia devido aos riscos associados à idade avançada e ao histórico de câncer no intestino da paciente, diagnosticado há 12 anos. Contudo, durante a noite, Jandira foi levada ao centro cirúrgico para um procedimento de colocação de sonda gástrica, que não era para ela.
Confusão e agravamento do quadro de saúde
A confusão só foi percebida pela equipe de enfermagem durante a administração de um medicamento pós-operatório, quando já era tarde demais. Apesar de reconhecerem o equívoco, os profissionais argumentaram que a cirurgia poderia ser benéfica. No entanto, após o procedimento, o estado de saúde de Jandira se agravou, apresentando taquicardia, febre e sintomas de infecção generalizada. Diante da piora, a família foi informada sobre a necessidade de intubação e as poucas chances de recuperação, optando por cuidados paliativos. Jandira faleceu em 11 de junho.
Investigação e busca por justiça
A família registrou um boletim de ocorrência por homicídio culposo e manifestou a intenção de acionar a Justiça para obter respostas sobre a morte de Jandira. A neta ressaltou que a avó havia superado um câncer no intestino há 12 anos e vivido bem por uma década, mas que agora “não teve essa chance” devido ao erro médico. Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa lamentou o ocorrido, solidarizou-se com a família e afirmou ter adotado medidas cabíveis, incluindo a abertura de sindicância e a comunicação transparente com os familiares.
