Estimativa bilionária para recuperação
O Nepal pode precisar de até US$ 5 bilhões para se recuperar das enchentes que assolaram o país nesta semana, conforme declarou o ministro das Finanças, Swarnim Wagle. O montante, que representa quase 10% da economia nacional, é uma estimativa inicial, mas o governo já aponta que o custo será inferior aos US$ 9 bilhões gastos após o terremoto de 2015. A avaliação dos danos e perdas ainda está em andamento, mas a magnitude da catástrofe já é alarmante.
As inundações e deslizamentos de terra na fronteira com o Tibete, na China, deixaram um rastro de destruição. O número oficial de mortos no Nepal subiu para 616, e somando as sete vítimas registradas no lado chinês, o total da tragédia atinge pelo menos 623. Além disso, quase 3.000 pessoas continuam desaparecidas, sendo cerca de 2.426 no Nepal e 554 no condado tibetano de Gyirong. Entre os desaparecidos no Tibete, há pelo menos 540 estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus originários da Índia.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela agência AFP e pela Reuters.
Desafios e necessidades urgentes
As operações de busca e resgate foram temporariamente suspensas neste sábado devido ao mau tempo, com chuvas e neblina dificultando os trabalhos. O Nepal, que não necessita de ajuda nas operações de resgate em si, mas sim de apoio técnico especializado, já solicitou assistência internacional para lidar com os desafios logísticos e de infraestrutura. Entre as necessidades urgentes estão a retirada de pessoas presas em túneis, o restabelecimento de vias de transporte e comunicação, e a identificação de corpos, que em muitos casos estão em decomposição avançada.
Devido ao risco à saúde e ao temor de epidemias, corpos não identificados serão sepultados após a coleta de amostras de DNA e cumprimento das formalidades legais. A catástrofe representa um duro golpe para a economia nepalesa, que depende fortemente de remessas de trabalhadores no exterior, turismo e energia hidrelétrica. Projetos de geração de energia, que respondem por mais de 12% da capacidade nacional, foram danificados, agravando o cenário econômico.
Comparativo com o terremoto de 2015
Embora o ministro das Finanças não tenha detalhado os motivos, a expectativa é que o custo da reconstrução após as enchentes seja menor do que o registrado em 2015. Naquele ano, um terremoto de magnitude 7,8, o pior desastre da história recente do Nepal, matou quase 9.000 pessoas, destruiu mais de meio milhão de residências e causou prejuízos equivalentes a um terço da economia. As enchentes atuais, apesar da perda de vidas e do impacto econômico, parecem ter um alcance de destruição material e de perdas humanas menos abrangente que o terremoto.
