O cenário eleitoral do Distrito Federal em 2024 se destaca pela forte presença feminina, com mulheres disputando cargos majoritários e delineando um panorama político onde a representatividade de gênero ganha força. Enquanto a disputa presidencial é tradicionalmente dominada por figuras masculinas, as principais corridas eleitorais na capital federal carregam a marca de mulheres que buscam consolidar ou conquistar espaços de poder.
Celina Leão (PP) busca a reeleição ao posto de governadora, tendo em sua chapa para o Senado nomes como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis, ambas do Partido Liberal (PL). Esse grupo de direita é articulado e apoiado pela senadora Damares Alves (Republicanos), que tem se dedicado a impulsionar as campanhas de suas aliadas. A proximidade entre essas políticas é visível, especialmente após a participação conjunta na campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, e a preparação para as eleições atuais demonstra um planejamento de longo prazo.
A projeção de Michelle Bolsonaro como uma figura central na direita, impulsionada por sua atuação como primeira-dama e líder do PL Mulher, a coloca como um ativo eleitoral estratégico. Sua campanha ao Senado testa a capacidade de converter sua popularidade nacional em votos locais. A expectativa é que sua presença agregue votos à chapa, especialmente para Bia Kicis, que se consolidou no Congresso com uma identidade combativa e forte presença digital, dialogando diretamente com o eleitorado bolsonarista.
A influência do núcleo político feminino conservador é complementada pela atuação de Damares Alves, mesmo sem estar nas urnas neste ano. Eleita senadora em 2022, ela atua como conselheira e apoiadora de Michelle e Bia, reafirmando seu compromisso com as candidaturas de direita.
Oposição Feminina e Diversidade de Pautas
A hegemonia feminina no Distrito Federal, contudo, não se restringe à esfera conservadora. A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) também concorre ao Palácio do Buriti, desafiando Celina Leão e disputando a representatividade feminina na agenda política local. No Senado, a senadora Leila Barros (PSB), conhecida por sua projeção nacional como ex-atleta, busca um novo mandato, apresentando um contraponto à direita e se alinhando ao campo governista no Congresso.
A disputa pelo voto feminino se torna mais acirrada com a presença de Belmonte e Barros, indicando que a agenda conservadora não monopolizará a representação das mulheres. As campanhas tendem a abordar temas como feminicídio, saúde da mulher e independência econômica, pautas que ganham espaço com a diversidade de candidaturas. A eleição no Distrito Federal se configura, portanto, como um laboratório para as tendências políticas femininas em âmbito nacional, com potencial para influenciar as eleições de 2026.
A configuração eleitoral em Brasília, com mulheres disputando votos tanto à direita quanto ao centro e à esquerda, sugere um avanço significativo na participação feminina em cargos majoritários. As candidaturas demonstram não apenas o cumprimento de cotas partidárias, mas também densidade eleitoral, experiência política e bases de apoio consistentes, sinalizando a possibilidade de votações expressivas para governo e Senado.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados sobre o cenário eleitoral no Distrito Federal.
