Moraes se baseou em relatórios da PF com aviso de "sem valor probatório" para pedir investigação contra Mendonça
Moraes se baseou em relatórios da PF com aviso de “sem valor probatório” para pedir investigação contra Mendonça

Moraes se baseou em relatórios da PF com aviso de “sem valor probatório” para pedir investigação contra Mendonça

Relatórios da Polícia Federal usados por Alexandre de Moraes para solicitar investigação contra o ministro André Mendonça continham advertências explícitas sobre sua fragilidade probatória. As peças, que analisavam cenários operacionais decorrentes da atuação de Mendonça como supervisor judicial das Operações Sem Desconto e Compliance Zero, eram carimbadas com a inscrição “sem valor probatório” em seus […]

Resumo

Relatórios da Polícia Federal usados por Alexandre de Moraes para solicitar investigação contra o ministro André Mendonça continham advertências explícitas sobre sua fragilidade probatória. As peças, que analisavam cenários operacionais decorrentes da atuação de Mendonça como supervisor judicial das Operações Sem Desconto e Compliance Zero, eram carimbadas com a inscrição “sem valor probatório” em seus cabeçalhos.

O alerta, repetido em caixa alta em todos os documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), detalhava que o material não se destinava a imputar infrações a magistrados ou autoridades, nem a constituir representação ou substituir vias processuais adequadas. Os analistas da PF foram taxativos ao afirmar, na seção “advertências de método”, que o relatório “não se presta a instruir procedimento de qualquer natureza, a fundamentar representação, a subsidiar peça de defesa ou a ser citado como fonte em documento externo”. Sua função, segundo a corporação, era unicamente “sustentar decisão de gestão em ambiente de informação incompleta”.

Além disso, o próprio nível de confiabilidade das conclusões apresentadas pela equipe técnica da PF era questionado. O analista responsável pelo documento classificou diversas inferências, como o suposto direcionamento político do ministro e sua intenção de recompor forças no STF, como puramente “avaliativas” e de “confiança baixa a moderada”. A corporação ressaltou que o teor de reuniões fora dos autos dependia de relatos informais, sem registro formal, o que impedia uma aferição segura. Foi apontado também o risco de “raciocínio motivado”, onde a análise poderia ser moldada para confirmar suspeitas prévias, considerando que a própria PF era parte interessada na disputa pelo controle das investigações.

Moraes viu indícios de crime apesar das ressalvas

Apesar das ressalvas explícitas quanto ao valor probatório e à confiabilidade do material, o ministro Alexandre de Moraes considerou os relatos suficientes para indicar, “em tese”, a prática de crimes. Em sua decisão de 20 páginas, ele listou condutas de Mendonça que, segundo ele, caracterizariam usurpação de funções policiais, quebra da cadeia de custódia de dados celulares e direcionamento de investigações com o objetivo de atingir adversários políticos e o próprio Moraes.

Moraes concluiu pela existência de “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, o que justificaria a instauração de um procedimento oficial sob a supervisão do presidente do STF, Edson Fachin. A solicitação foi feita pelo ministro na última quinta-feira (3). O caso ganha contornos de especial relevância após Mendonça ter retirado o sigilo de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, dono do Master, e o próprio Moraes no início da semana. O relator do caso Master também pediu a Fachin que o plenário analise a abertura de uma investigação contra Moraes.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo jornal Metrópoles.

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