Modelo de produção BYD pode eliminar 90% dos empregos automotivos no Brasil, alerta Stellantis
Modelo de produção BYD pode eliminar 90% dos empregos automotivos no Brasil, alerta Stellantis

Modelo de produção BYD pode eliminar 90% dos empregos automotivos no Brasil, alerta Stellantis

Stellantis alerta para risco de desemprego em massa na indústria automotiva brasileira A expansão de montadoras chinesas no Brasil, com destaque para a BYD, levanta preocupações sobre o futuro da produção automotiva nacional e a geração de empregos. Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América Latina, declarou em São Paulo que o modelo de […]

Resumo

Stellantis alerta para risco de desemprego em massa na indústria automotiva brasileira

A expansão de montadoras chinesas no Brasil, com destaque para a BYD, levanta preocupações sobre o futuro da produção automotiva nacional e a geração de empregos. Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América Latina, declarou em São Paulo que o modelo de produção conhecido como “knocked-down” (KD) – onde veículos são parcialmente montados no exterior e finalizados no país de destino – representa uma ameaça potencial a até 90% dos empregos no setor automotivo da região. Segundo Zola, se a Stellantis adotassem integralmente esse modelo, a necessidade de seus atuais 35 mil funcionários na América do Sul seria reduzida a apenas 10%.

O modelo KD abrange sistemas como SKD (Semi Knocked Down), onde o veículo chega semimontado, e CKD (Completely Knocked Down), onde os componentes chegam desmontados para montagem final no Brasil. Embora esses processos ainda demandem mão de obra para montagem, logística e controle de qualidade, a concentração de etapas cruciais como estamparia, soldagem da carroceria e pintura no exterior diminui significativamente o impacto na cadeia industrial brasileira e na geração de empregos qualificados.

A BYD, por exemplo, já opera com kits importados, tendo montado mais de 100 mil veículos com essa modalidade apenas em sua fábrica de Camaçari, na Bahia. Essa prática é incentivada por políticas tributárias. Em junho deste ano, o governo brasileiro renovou por mais seis meses uma cota de US$ 463 milhões para a importação de veículos eletrificados desmontados ou semidesmontados com alíquota zero de Imposto de Importação. Essa medida beneficia diretamente o modelo de produção adotado pelas montadoras chinesas.

Incentivos fiscais e a ascensão dos eletrificados

A discussão sobre o grau de nacionalização da produção automotiva ganha contornos de debate sobre política tributária e competitividade. Montadoras com estruturas industriais mais robustas no Brasil argumentam que a vantagem fiscal concedida à importação de kits pode criar um cenário de concorrência desigual, especialmente se essa prática não for acompanhada por um investimento correspondente em etapas produtivas locais. Por outro lado, o governo defende que esses incentivos fazem parte de uma estratégia para atrair investimentos e impulsionar a eletrificação da frota no país.

A consolidação do interesse das marcas chinesas no mercado brasileiro ocorre em paralelo a um crescente interesse dos consumidores por veículos eletrificados e híbridos. Dados do Google Trends nos últimos cinco anos no Brasil indicam um aumento expressivo na busca por carros elétricos, enquanto a procura por modelos a combustão mantém um patamar residual.

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