Disputa política se acirra nas redes sociais com pautas distintas: o custo de vida e o uso de símbolos nacionais.
O cenário político brasileiro viu neste sábado (17) duas frentes de mobilização nas redes sociais, cada uma com sua estratégia para engajar eleitores. De um lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) convocou seus apoiadores a documentar os preços de alimentos em supermercados, visando expor o que considera o encarecimento dos produtos sob o governo atual. Do outro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aderiu a uma campanha que reivindica as cores verde e amarela, buscando desassociá-las de grupos políticos conservadores.
Flávio Bolsonaro incentivou seguidores a fotografar produtos, gravar vídeos e compartilhar notas fiscais para registrar os gastos com alimentação. A iniciativa tem como objetivo criar um acervo de imagens que comparem os preços atuais com os de períodos anteriores, associando o aumento ao governo Lula e criticando a carga tributária sobre itens básicos. “Todo mundo tem uma missão. Vá até o supermercado mais próximo da sua casa e tira foto, faça vídeo, para mostrar como a comida está cara, o arroz, o feijão, a carne, o café”, declarou o senador em uma gravação, enfatizando a necessidade de expor a realidade econômica e a tributação sobre os alimentos.
O senador argumentou que a divulgação desses registros ampliaria a consciência popular sobre a situação do país, acusando o governo atual de fazer promessas irrealistas. “Porque o atual governo está fazendo promessas mirabolantes, ele sabe que não vai cumprir, ele está ignorando a realidade, achando que o povo brasileiro é trouxa. Vamos dar a resposta nas urnas”, concluiu.
Relembrando o “desafio do churrasco”
A convocação deste sábado remonta a uma ação anterior de Flávio Bolsonaro, lançada em 5 de julho. Na ocasião, o senador propôs o “desafio da Copa”, incentivando apoiadores a prepararem um churrasco com um orçamento de R$ 100. Durante a gravação daquela iniciativa, ele percorreu um supermercado, consultando preços de carnes e outros itens, e acabou por descartar alguns produtos e até mesmo a sacola de compras para se manter dentro do limite financeiro. Naquele momento, ele também direcionou críticas a Lula, afirmando que o povo brasileiro não seria mais enganado.
PT busca apropriação das cores nacionais
Em paralelo, o presidente Lula também utilizou as redes sociais para se posicionar. Ele publicou uma foto vestindo a camisa da seleção brasileira e com um adesivo que dizia “o Brasil é dos brasileiros”. Essa postagem integra o movimento “O verde e amarelo é nosso”, articulado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A campanha visa desvincular o uso das cores nacionais e do uniforme da seleção de manifestações políticas associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, que frequentemente utilizaram esses símbolos em atos públicos.
Parlamentares aliados de Lula e artistas também aderiram à iniciativa, compartilhando fotos com a camisa da seleção e fazendo o sinal da letra “L” com os dedos. Entre os nomes que divulgaram suas participações estão as deputadas federais Ana Elisa (PT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP), e artistas como Carmo Dalla Vecchia, Débora Bloch, Marjorie Estiano e Sophie Charlotte. A mobilização sugere uma disputa pela narrativa em torno de símbolos nacionais, buscando associá-los a uma identidade brasileira mais ampla e democrática.
