Empresária alega ter provas de negociações envolvendo o filho do presidente e um contrato de R$ 2 bilhões. Governo nega irregularidades e desconhecimento dos fatos relatados.
A lobista Roberta Luchsinger manifestou neste sábado (17) o desejo de firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Investigada por suspeitas de tráfico de influência, Luchsinger afirma possuir informações inéditas que poderiam comprometer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O anúncio ocorre em meio a trocas de acusações públicas e relatos de ameaças de morte direcionadas à empresária.
Segundo Luchsinger, as informações que pretende revelar não constam em aparelhos eletrônicos e documentos já apreendidos pela Polícia Federal. Ela alega que Lulinha mantinha encontros frequentes e reservados com o presidente de uma empreiteira portuguesa para discutir negócios. A empresária insinua que essas reuniões estariam ligadas a um contrato de R$ 2 bilhões para a construção do túnel Santos-Guarujá. Adicionalmente, Luchsinger declarou ter presenciado o filho do presidente despachando semanalmente com ministros de Estado e assessores próximos ao governo federal.
Reação do Governo e Investigação em Andamento
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República negou veementemente qualquer irregularidade e afirmou que o presidente Lula desconhece os fatos relatados pela lobista. Em nota oficial, o governo esclareceu que Lula nunca manteve diálogo com Luchsinger e não tem conhecimento de tratativas comerciais envolvendo seu nome, ressaltando a inexistência de contratos públicos com a empresária. A gestão classificou as denúncias como uma tentativa irresponsável de manipular a opinião pública e interferir no processo eleitoral, especialmente por terem surgido às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
As investigações da Polícia Federal que envolvem a empresária e o filho do presidente apuram suspeitas de tráfico de influência e intermediação de negócios com órgãos públicos federais. Entre os pontos centrais estão possíveis negociações para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde e tratativas envolvendo a Dataprev, empresa estatal de tecnologia da Previdência Social. Roberta Luchsinger também é investigada em um caso de descontos indevidos em benefícios de aposentados do INSS, alegações que ela nega.
Relatos de Ameaças e Pressão
Roberta Luchsinger afirma estar vivendo sob forte pressão, relatando receber cerca de 50 ameaças de morte diariamente, que também atingiriam suas filhas e familiares. Ela acusa o presidente Lula de chamá-la de ‘pilantra’ na imprensa para usá-la como ‘boi de piranha’, uma expressão utilizada quando alguém é sacrificado para desviar a atenção de culpados maiores. A empresária sustenta que perdeu todos os seus contratos comerciais e que está sendo coagida pela máquina pública a se calar, responsabilizando diretamente o atual presidente por qualquer dano que venha a sofrer. As informações foram apuradas pela equipe de reportagem da Gazeta do Povo.
