Marinha iraniana anuncia fechamento indeterminado do Estreito de Hormuz
A Marinha do Irã declarou neste sábado (11) o fechamento por tempo indeterminado do Estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, após disparar um tiro de advertência contra uma embarcação que, segundo Teerã, tentou transitar por uma rota não autorizada. O anúncio, feito pela mídia estatal, eleva significativamente as tensões na região e gera incertezas sobre o futuro do comércio global de petróleo.
Em comunicado, a Marinha iraniana afirmou que nenhuma embarcação terá permissão para cruzar a via marítima até que a interferência dos Estados Unidos na região cesse. A Guarda Revolucionária Islâmica detalhou que um navio foi “atingido e imobilizado” por colocar em risco a segurança marítima ao desligar seus sistemas, embora a identidade da embarcação não tenha sido divulgada. Teerã alega que outras embarcações também desobedeceram alertas para corrigir o curso em rotas não autorizadas.
A Marinha iraniana emitiu um aviso severo, declarando que “agressões contra o Irã serão recebidas com uma resposta severa, e novas bases inimigas na região serão alvejadas”. A declaração surge em um contexto de crescente hostilidade entre Teerã e Washington, que recentemente intensificou suas ações contra o país persa.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela mídia estatal iraniana.
Escalada de Conflito e Resposta Americana
Pouco tempo após o anúncio iraniano, o Exército dos Estados Unidos confirmou o lançamento de novos ataques contra o Irã, em resposta direta ao incidente no Estreito de Hormuz. O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, classificou a ação iraniana como uma “decisão ruim” e afirmou que o país “pagará” por isso. A escalada de violência ocorre em meio a declarações do líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, de que a vingança pela morte de seu pai, Ali Khamenei, é uma “demanda da nação” e “certamente deverá” acontecer.
Impacto no Acordo de Cessar-Fogo e Preços do Petróleo
A nova onda de confrontos lança sérias dúvidas sobre a validade do acordo provisório para encerrar o conflito entre os dois países. Na semana anterior, o presidente americano Donald Trump havia declarado o fim do cessar-fogo e revogado a licença que permitia a venda de petróleo bruto iraniano. Trump, em postagem na Truth Social, enfatizou que, apesar de o Irã ter solicitado a continuidade das negociações, os Estados Unidos foram claros ao afirmar que o cessar-fogo “ACABOU!”.
O Irã, por sua vez, advertiu que deixará de se considerar vinculado ao memorando de entendimento firmado com os EUA para o fim da guerra no Oriente Médio, caso Washington continue violando o acordo. O representante iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, citado pela emissora estatal IRIB, declarou que o descumprimento das obrigações por parte dos EUA liberaria o Irã de suas próprias responsabilidades.
O conflito recente também teve impacto direto nos mercados globais, com um aumento nos preços do petróleo. Relatos do Ministério da Saúde do Irã indicam que pelo menos 17 pessoas morreram e 115 ficaram feridas em ataques americanos a seis cidades iranianas na quarta (8) e quinta-feira (9), com nenhum ataque registrado na sexta e no sábado.
