Da Terceira Via ao 'L': O Rumo Incerto dos Candidatos Presidenciais de 2022
Da Terceira Via ao ‘L’: O Rumo Incerto dos Candidatos Presidenciais de 2022

Da Terceira Via ao ‘L’: O Rumo Incerto dos Candidatos Presidenciais de 2022

A dispersão da “terceira via” presidencial de 2022 Quatro anos após se apresentarem como alternativas a Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022, os candidatos da chamada “terceira via” se encontram em caminhos diversos. Muitos se afastaram dos holofotes nacionais, enquanto outros reorientaram suas carreiras para a política regional, […]

Resumo

A dispersão da “terceira via” presidencial de 2022

Quatro anos após se apresentarem como alternativas a Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022, os candidatos da chamada “terceira via” se encontram em caminhos diversos. Muitos se afastaram dos holofotes nacionais, enquanto outros reorientaram suas carreiras para a política regional, organizando candidaturas de oposição em seus estados ou, em alguns casos, aderindo a alianças com o campo governista, chegando a “fazer o L” em apoio à tentativa de reeleição do presidente Lula.

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) é um exemplo emblemático dessa mudança. Conhecida por seu discurso crítico a ambos os polos em 2022, quando obteve o quinto lugar na disputa presidencial, ela recentemente participou de um ato político ao lado de lideranças de centro-esquerda, onde fez o gesto característico de apoio a Lula. Em resposta a comentários de eleitores surpresos, Thronicke declarou que a política a ensinou a buscar o amor em vez do ódio e que sua atuação é uma “missão”. A senadora, que em 2022 buscou a reeleição com apoio velado de Lula, trocou o Podemos pelo PSB e tem alinhado seu discurso com ações do governo federal, como a inauguração de uma unidade de fertilizantes em Mato Grosso do Sul.

Simone Tebet, que ficou em terceiro lugar na eleição presidencial de 2022 pelo MDB, também integrou o governo Lula como ministra do Planejamento e, posteriormente, se filiou ao PSB para disputar uma vaga no Senado por São Paulo, compondo a chapa petista. Ela já havia manifestado apoio a Lula no segundo turno de 2022. Em sua atuação atual, Tebet frequentemente divulga em suas redes sociais ações e programas do governo federal, ao lado de figuras da esquerda.

Oposição regional e alianças inesperadas

Ciro Gomes (PDT), quarto colocado em 2022, optou por seguir na oposição ao governo Lula, mas no âmbito regional. Ele é candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, em uma aliança com o PL, que visa unificar a centro-direita no estado. Essa articulação gerou repercussão interna no PL, culminando na saída de Michelle Bolsonaro da liderança do PL Mulher.

Outros nomes que se apresentaram como alternativas em 2022 tiveram trajetórias distintas. Felipe D’Ávila (Novo), sexto colocado na disputa nacional, cogitou uma candidatura ao governo de São Paulo, mas não confirmou sua participação neste ciclo eleitoral, atuando como analista político. Candidatos com menor expressão, como Padre Kelmon (PL), anunciaram intenções de concorrer a deputado federal em 2026, enquanto Léo Péricles (UP), Sofia Manzano (PCB), Vera Lúcia (PSTU) e Constituinte Eymael (DC) não devem reeditar candidaturas presidenciais por seus partidos.

Um cenário de dispersão e baixa projeção

A análise do cenário político atual, a poucos meses do primeiro turno das eleições, indica que a “terceira via” não conseguiu consolidar uma força expressiva para 2026. Pesquisas recentes mostram um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para presidente, com outras figuras do campo conservador também aparecendo como alternativas.

A falta de coesão e a dispersão das candidaturas que outrora buscaram se posicionar como um caminho alternativo demonstram a dificuldade em construir uma plataforma política unificada e capaz de atrair o eleitorado em um cenário polarizado. A reorientação de alguns desses nomes para alianças regionais ou para o apoio ao governo atual sinaliza a reconfiguração do espectro político brasileiro.

A pesquisa Gerp, divulgada em 8 de julho de 2026, ouviu 2.000 pessoas entre 3 e 7 de julho, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Associação das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Aesp) e registrado no TSE sob o nº BR-03067/2026.

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