Presidente critica postura dos EUA e reitera defesa do país
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira (17) que aguardará a manifestação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes de comentar as novas tarifas impostas pelo governo americano ao Brasil. Em um tom firme, Lula afirmou que “contra o Brasil ninguém ganha mentindo” e que o país não aceitará “desaforo” de nenhuma nação, exigindo respeito mútuo nas relações internacionais.
As declarações foram feitas durante a visita do presidente à Carreta da Saúde da Mulher, no Rio de Janeiro. Lula enfatizou a necessidade de o Brasil se posicionar com dignidade no cenário global. “Esse país precisa estar de cabeça erguida, porque esse país não aceita que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Queremos respeito da mesma forma que damos respeito para todo mundo”, disse.
O presidente já havia se manifestado sobre o tema nas redes sociais, compartilhando postagens de ministros que criticavam as tarifas. Em uma das publicações, Lula reforçou a posição do governo: “Apontamos que não há justificativa para as tarifas anunciadas. Não vamos abrir mão de defender o nosso Pix, a nossa soberania e os produtores brasileiros”.
Reação a acusações e imposição de tarifas
A tensão entre Brasil e Estados Unidos se intensificou após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acusar Lula de priorizar seu “ego” em detrimento de um acordo comercial. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a conduta de Rubio como “grosseira e arrogante”.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) formalizou a imposição de uma tarifa de 25% sobre todas as importações brasileiras, com início previsto para 22 de julho de 2026. A medida é resultado de uma investigação sob a “Seção 301”, que apontou supostas práticas comerciais desleais e políticas brasileiras prejudiciais ao comércio digital, pagamentos eletrônicos e meio ambiente.
O governo brasileiro refutou as acusações e avalia a aplicação da Lei da Reciprocidade, embora tenha destacado a disposição para negociações. O Planalto, em nota oficial, ressaltou que “não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país” e citou o superávit acumulado pelos EUA em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos, superior a US$ 424,5 bilhões, segundo dados americanos.
