Presidente brasileiro alfineta secretário de Estado dos EUA e rebate tarifas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, como um “bolsonarista” que “odeia o Brasil”. A declaração foi feita nesta sexta-feira (7) durante um evento no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), em um momento de escalada nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, especialmente sob a administração de Donald Trump.
Lula direcionou suas críticas a Rubio, que nasceu em Miami e é filho de pais cubanos imigrantes. Para o presidente brasileiro, Rubio seria um “latino-americano frustrado” e um “descendente cubano de Miami” com aversão a países da região, incluindo o Brasil. “Ele não gosta, eu disse para o Trump, ele não gosta do Brasil”, afirmou o petista, referindo-se a uma suposta conversa com o ex-presidente americano.
As declarações ocorrem após a imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em julho, Washington determinou uma sobretaxa que pode chegar a 37,5% em duas etapas (25% e 12,5%), justificada por uma investigação sobre suposta prática de trabalho forçado em cadeias produtivas brasileiras. Lula expressou ter tomado conhecimento da segunda etapa da tarifação pela imprensa e questionou a fundamentação.
Contraponto e histórico de negociações
O presidente brasileiro relembrou suas interações com Donald Trump, destacando que sempre houve respeito mútuo em seus encontros. Lula mencionou uma conversa na Malásia, onde teria dito a Trump que ambos, como homens na casa dos 80 anos, deveriam passar a responsabilidade das duas maiores democracias do mundo adiante. Ele também afirmou ter entregue a Trump um documento na Casa Branca rebatendo as alegações americanas contra o Brasil.
Em contrapartida, Marco Rubio, após o anúncio da tarifação, acusou Lula de colocar seu “ego” acima da negociação. Na ocasião, o secretário de Estado americano declarou que o presidente brasileiro e seu governo não haviam negociado de boa-fé, e que suas políticas econômicas eram prejudiciais tanto para americanos quanto para brasileiros. “No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fechar um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, disse Rubio.
Desmatamento e clima no centro da disputa
Um dos motivos citados pelos EUA para justificar o aumento das tarifas foi o desmatamento ilegal no Brasil. Lula rebateu a alegação, classificando-a como uma tentativa de criar uma imagem negativa do país e questionando o compromisso americano com a questão climática. “Ninguém, nem os EUA não levam a sério a questão climática, como leva o Brasil”, ressaltou o presidente.
Lula chegou a mencionar declarações anteriores de Trump na ONU, onde o ex-presidente teria minimizado a gravidade das mudanças climáticas. Para demonstrar o compromisso brasileiro, o presidente anunciou que tiraria fotos de gráficos com os índices de desmatamento apresentados no evento do Inpe para enviar a Trump, buscando reforçar a posição do Brasil na agenda ambiental. As informações foram reunidas a partir de declarações do presidente Lula durante evento no Inpe.
