Custo da dívida pública dispara e atinge maior patamar desde 2016
O custo médio da dívida pública federal brasileira registrou um aumento expressivo de 12,70% nos últimos doze meses, alcançando o índice mais alto para o mês de junho desde 2016. Os dados divulgados pelo Tesouro Nacional evidenciam a crescente pressão do endividamento sobre as finanças do país, com o estoque total da dívida pública federal atingindo R$ 9,26 trilhões, o equivalente a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
A dívida pública é composta por títulos negociados internamente (Dívida Pública Mobiliária Federal Interna – DPMFi) e por aqueles cujos credores são investidores estrangeiros (Dívida Pública Externa – DPFe). O aumento contínuo desse montante é um reflexo direto da falta de controle fiscal, ocorrendo sempre que os gastos do governo superam a arrecadação, gerando déficits orçamentários que demandam a busca incessante por novos recursos.
Essas informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Tesouro Nacional.
Rombo Orçamentário e Impacto da Taxa Selic
O cenário de desequilíbrio fiscal obriga o Tesouro Nacional a emitir constantemente novos títulos públicos no mercado financeiro. Essa emissão tem o duplo objetivo de refinanciar a dívida existente e cobrir as despesas correntes do Estado, pressionando o orçamento do Executivo e elevando significativamente as despesas financeiras da União.
Uma parcela considerável dos títulos emitidos pelo governo está atrelada à taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Atualmente, a Selic se mantém em patamares elevados, em grande parte devido à incerteza fiscal associada ao governo Lula. Essa elevação dos juros impacta diretamente o custo médio da dívida, ou seja, o montante que o governo gasta para gerenciar o seu próprio déficit.
Expansão da Dívida Interna e Externa
A disparada dos juros tem fortes repercussões no mercado interno. Somente no último mês, o estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) expandiu-se em 2,63%, atingindo R$ 8,920 trilhões. Em junho, o custo médio acumulado em doze meses dessa modalidade de dívida subiu para 13,19%, demonstrando o alto custo das emissões domésticas.
No que diz respeito à dívida externa, a desvalorização da moeda nacional também exerceu influência. O custo médio do estoque da Dívida Pública Externa (DPFe) em 12 meses passou para 0,05% ao ano, um reflexo direto da apreciação do dólar frente ao real no período. O Tesouro Nacional informou que o estoque da DPFe variou 2,12% em junho, encerrando o mês em R$ 347,71 bilhões, o equivalente a US$ 67,17 bilhões. O avanço em ambas as frentes de endividamento consolida a trajetória de alta das despesas financeiras do Estado brasileiro.
