O impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se um tema central nas eleições para o Senado, impulsionado pela recente divulgação de mensagens trocadas entre os ministros Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, além de um embate público entre Vorcaro e André Mendonça. A situação culminou na determinação de afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que também foi mencionado nas mensagens. Diante desse cenário de instabilidade sem precedentes na Suprema Corte, a oposição no Congresso Nacional intensificou os pedidos de impeachment contra ministros do STF, com foco especial em Alexandre de Moraes, que já acumula mais de 67 pedidos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, indicou que a Casa acumula cerca de 109 pedidos contra membros do tribunal.
A repercussão desses eventos pressiona os candidatos ao Senado, que em 2024 disputam a renovação de dois terços das cadeiras da Casa Alta, a qual detém o poder constitucional de julgar e destituir ministros do STF. A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF, que foi rejeitada pelo Senado — um fato inédito desde 1894 —, é vista por especialistas como um prenúncio do fortalecimento do movimento parlamentar favorável ao impeachment. Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, avalia que a corrente pró-impeachment pode definir o tom da eleição, com a população atenta às posições dos candidatos sobre o Supremo.
A oposição, especialmente os partidos de direita, enxerga a renovação do Senado com parlamentares alinhados a essa pauta como uma estratégia para conquistar a presidência da Casa. Senadores como Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) defendem a análise dos pedidos de impeachment, criticando a falta de votação de propostas mesmo com apoio expressivo. Pontes argumenta que a análise de pedidos juridicamente fundamentados é essencial para o devido processo legal, especialmente diante de suspeitas graves envolvendo autoridades.
Um levantamento do Ranking dos Políticos aponta que a maioria dos senadores da atual legislatura considera o STF e o Poder Judiciário as principais ameaças à liberdade de expressão no Brasil. Essa percepção, somada às recentes controvérsias, intensifica o debate sobre o papel do Senado na fiscalização do Judiciário. A situação é agravada pela decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, que elevou o quórum para admissão de processos de impeachment contra magistrados do STF de maioria simples para dois terços (54 votos), criando uma barreira adicional para tais iniciativas.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Ranking dos Políticos e declarações de senadores à imprensa.
