Cerveja com proteína e refrigerante com fibra: um avanço ou marketing?
Cerveja com proteína e refrigerante com fibra: um avanço ou marketing?

Cerveja com proteína e refrigerante com fibra: um avanço ou marketing?

O mercado de bebidas funcionais no Brasil está em ebulição, com empresas apostando em produtos inusitados para adicionar nutrientes como proteína e fibra. A cerveja e o refrigerante, antes associados a momentos de lazer e indulgência, agora ganham versões “funcionais”, refletindo uma nova fase na busca por bem-estar através de alimentos e bebidas. A tendência […]

Resumo

O mercado de bebidas funcionais no Brasil está em ebulição, com empresas apostando em produtos inusitados para adicionar nutrientes como proteína e fibra. A cerveja e o refrigerante, antes associados a momentos de lazer e indulgência, agora ganham versões “funcionais”, refletindo uma nova fase na busca por bem-estar através de alimentos e bebidas.

A tendência é impulsionada por lançamentos como a Spaten Pro, uma cerveja sem álcool com 10 gramas de proteína, e o Guaraná Zero com Fibra, que oferece 4,4 gramas do nutriente por lata. O Starbucks também entra no jogo com o Cold Foam, uma espuma de leite que adiciona 19 gramas de proteína a suas bebidas. Essas novidades se somam a outros produtos que já buscam atender à crescente demanda por bem-estar, como cervejas sem glúten e com menos calorias, e bebidas enriquecidas com vitaminas.

O Brasil se consolida como um laboratório global para esses produtos. A Spaten Pro, por exemplo, é a primeira cerveja proteica de uma grande cervejaria voltada ao consumo em massa, seguindo um caminho que pode levar à exportação, assim como a Stella Artois Pure Gold. No entanto, o entusiasmo com a inovação esbarra em preocupações de profissionais de saúde, que questionam se o apelo de marketing supera os benefícios nutricionais reais.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela BBC News Brasil.

Entendendo as quantidades e recomendações

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de ao menos 25 gramas de fibra por dia, com algumas instituições sugerindo até 30 gramas. Já a ingestão diária de proteína para um adulto, em uma dieta de 2.000 calorias, é de cerca de 50 gramas. No entanto, nutricionistas utilizam parâmetros mais individualizados, variando de 0,8g a 2g de proteína por quilo de peso corporal, dependendo do nível de atividade física. Para idosos, a recomendação aumenta, mesmo para sedentários.

Especialistas apontam que a deficiência no consumo de fibras é um problema comum no Brasil, devido à redução na ingestão de frutas, legumes e verduras. Por outro lado, o consumo de proteínas é considerado adequado para a população em geral, proveniente de uma combinação de fontes vegetais e animais.

O valor nutricional versus o custo

Apesar da conveniência, o custo dessas bebidas funcionais é um ponto de atenção. A Spaten Pro é lançada com preços entre R$ 10 e R$ 13, e a espuma do Starbucks custa R$ 9,90, valores comparáveis a produtos lácteos proteicos já existentes no mercado. Ao comparar com fontes tradicionais de proteína, como ovos e carnes, o custo-benefício das bebidas funcionais se mostra menos atraente. Um ovo, custando cerca de R$ 1, oferece até 7 gramas de proteína, enquanto a cerveja proteica pode custar mais de R$ 10 por 10 gramas do nutriente.

Nutrólogos ressaltam que, embora essas bebidas possam ser uma complementação válida para pessoas com necessidades proteicas elevadas, a alimentação convencional, quando bem planejada, geralmente supre as demandas. A decisão de incluir esses produtos na dieta deve considerar as necessidades individuais, estado de saúde e nível de atividade física.

Marketing e o “efeito aura de saúde”

A popularização da proteína em bebidas como cerveja e refrigerante também responde a um cenário de queda no consumo de cerveja tradicional e à busca por um estilo de vida mais saudável. A Ambev, por exemplo, tem investido em sua plataforma de “wellness”, que inclui cervejas com apelo mais saudável, como as sem álcool e com menos calorias.

Contudo, especialistas alertam para o “efeito aura de saúde” (health halo effect), onde a adição de um nutriente positivo pode levar o consumidor a considerar o produto como um todo mais saudável, ignorando outros aspectos, como o teor calórico ou a presença de outros ingredientes. No caso da Spaten Pro, apesar de não conter açúcar ou gordura adicionados, a cerveja possui 92 calorias, menos que a versão tradicional, mas ainda considerável.

A origem da proteína e da fibra também é relevante. A fibra do Guaraná é insolúvel, e a dieta ideal requer ambos os tipos (solúvel e insolúvel). A proteína da Spaten Pro é uma combinação de whey e colágeno hidrolisado, sendo que o colágeno pode oferecer benefícios articulares, mas tem menor impacto na formação muscular comparado ao whey protein. A inclusão desses nutrientes em bebidas de indulgência, como cerveja e refrigerante, pode ser vista como uma estratégia para adaptar hábitos de consumo a um contexto de maior preocupação com a saúde, sem necessariamente substituir fontes nutricionais primárias.

Tags:

Veja Também

Lula critica 'banalização' da política e valoriza experiência em detrimento da fama na internet

Lula critica ‘banalização’ da política e valoriza experiência em detrimento da fama na internet

Mulheres lideram compras de cuecas no Brasil, representando até metade das aquisições

Mulheres lideram compras de cuecas no Brasil, representando até metade das aquisições

Pediatria alerta sobre uso de 'canetas emagrecedoras' em crianças e adolescentes

Pediatria alerta sobre uso de ‘canetas emagrecedoras’ em crianças e adolescentes

Cruz Vermelha condena ataques a equipes de combate ao ebola na RDC

Cruz Vermelha condena ataques a equipes de combate ao ebola na RDC

Fungos e bactérias podem sobreviver na Lua, mas sem proliferação, aponta estudo

Fungos e bactérias podem sobreviver na Lua, mas sem proliferação, aponta estudo