Exército Brasileiro testa defesa antiaérea contra drones em exercício inédito em Goiás
Exército Brasileiro testa defesa antiaérea contra drones em exercício inédito em Goiás

Exército Brasileiro testa defesa antiaérea contra drones em exercício inédito em Goiás

Exercício militar em Goiás foca em combate a drones O Exército Brasileiro realizou, no Campo de Instrução de Formosa (GO), um exercício inédito voltado para a defesa antiaérea contra drones. Batizado de Sagitta Primus 2026, o treinamento reuniu mais de 500 militares de 23 organizações e buscou adaptar a força terrestre a uma nova realidade […]

Resumo

Exercício militar em Goiás foca em combate a drones

O Exército Brasileiro realizou, no Campo de Instrução de Formosa (GO), um exercício inédito voltado para a defesa antiaérea contra drones. Batizado de Sagitta Primus 2026, o treinamento reuniu mais de 500 militares de 23 organizações e buscou adaptar a força terrestre a uma nova realidade de combate, onde drones se mostram cada vez mais decisivos em conflitos globais. A iniciativa, divulgada nesta semana, simulou a identificação e neutralização de ameaças aéreas não tripuladas, replicando a importância observada em recentes confrontos na Ucrânia e no Irã.

A atividade marcou a primeira vez que o Exército conduziu uma experimentação focada na integração da defesa antiaérea com sistemas específicos para drones. Durante os testes, foram empregados radares de fabricação nacional, como o SABER M60 e o SABER M200, para a detecção de alvos no espaço aéreo. Para a neutralização, foram utilizadas diversas plataformas de armamento, incluindo metralhadoras .50 montadas em veículos Guarani e canhões do blindado antiaéreo Gepard. Além disso, soluções “não cinéticas”, que utilizam interferência eletrônica para bloquear frequências de controle de drones, também foram testadas.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Exército Brasileiro.

Adaptação à nova doutrina de guerra

O exercício está alinhado com a nova Política de Transformação do Exército, um plano estratégico lançado em abril com o objetivo de modernizar a instituição até 2043. Essa diretriz reflete um “choque de realidade” impulsionado pela análise de conflitos contemporâneos. Em cenários como o da Ucrânia, drones de baixo custo têm demonstrado capacidade de destruir equipamentos militares de alto valor, alterando a lógica econômica e tática dos combates. O Exército reconhece a necessidade de reorientar sua estrutura, antes focada em modelos de guerra do século passado, para priorizar a aquisição e o desenvolvimento de drones de ataque, sistemas de sensores e mísseis mais acessíveis e letais, alinhados a países em desenvolvimento.

Fortalecimento da indústria de defesa e preocupações regionais

O plano de transformação também visa incentivar a Base Industrial de Defesa (BID) do Brasil. Durante o exercício em Goiás, empresas nacionais apresentaram suas inovações, como fuzis de interceptação de frequência e torres de análise de sinais. Paralelamente à preocupação com cenários de guerra entre Estados, o Exército Brasileiro também monitora o uso de drones por organizações criminosas e grupos armados na América do Sul. Relatos de ataques contra militares na Colômbia utilizando esses aparelhos servem como alerta para a necessidade de proteger tropas e infraestruturas críticas contra ameaças que podem ser facilmente transportadas.

Reestruturação e otimização de recursos

Para viabilizar a aquisição dessas novas tecnologias, o Exército iniciou um processo de “reotimização” de recursos. Isso inclui a redução drástica de projetos estratégicos, que caíram de 13 para seis, e a possível desativação ou realocação de unidades militares em áreas consideradas seguras para regiões de fronteira e zonas de maior sensibilidade. O Exercício Sagitta Primus 2026 consolida o esforço da instituição em desenvolver uma capacidade de dissuasão compatível com a realidade econômica atual, com a meta de dominar, nas próximas décadas, o uso de radares integrados e sistemas de resposta rápida para garantir a segurança do espaço aéreo nacional contra ameaças como enxames de drones e ataques de precisão.

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