Candidatas do PT em Minas Gerais protestam contra distribuição de recursos
Um grupo de mulheres filiadas ao Partido dos Trabalhadores (PT) em Minas Gerais realizou um protesto neste sábado (29) em Belo Horizonte, durante evento de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. A manifestação, que ocorreu em frente ao local do comício voltado ao público feminino, tinha como principal reivindicação a falta de recursos destinados a candidatos do partido no estado para as eleições deste ano. Com uma faixa que dizia “mulheres da base do PT não aceitam ser tratadas como laranjas”, o grupo criticou a forma como o Fundo Eleitoral foi distribuído, afirmando que 25 candidaturas mineiras estão sem dinheiro para iniciar suas campanhas.
Segundo informações obtidas pelo jornal O Tempo, a mobilização reuniu 14 candidatas a deputada estadual e 11 a deputada federal. Elas relataram ter os “caixas zerados”, enquanto petistas que já ocupam cargos na Câmara dos Deputados poderiam receber até R$ 2 milhões cada para suas campanhas de reeleição. A insatisfação centraliza-se na divisão dos R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral que o PT destinou para candidaturas proporcionais em todo o país. Os critérios adotados pela direção nacional teriam criado um “abismo” na distribuição, favorecendo desproporcionalmente os que já possuem mandato.
Reclamações sobre exposição e recursos
Além da questão financeira, as candidatas também expressaram descontentamento com a falta de espaço nas inserções de rádio e televisão do partido. A avaliação do grupo é que postulantes considerados com menor potencial eleitoral ficam, simultaneamente, sem recursos financeiros e sem visibilidade, enquanto nomes já conhecidos e com mandatos recebem uma fatia maior dos fundos disponíveis. A mobilização foi liderada por Guima Jardim, presidente do diretório do PT em Belo Horizonte e candidata a deputada estadual. Este foi o segundo evento de Lula em Belo Horizonte em um período de oito dias.
Em seu discurso no mesmo dia, Lula defendeu a maior presença feminina nos espaços de poder e incentivou as eleitoras a priorizarem candidatas nas próximas eleições. “Se todas as mulheres votassem em mulheres, a gente teria um Congresso com a maioria de mulheres”, afirmou o presidente, questionando a predominância masculina no Legislativo e defendendo maior representatividade feminina no Senado, na Câmara dos Deputados, nas câmaras municipais e nas assembleias legislativas.
