Canadá atrai cientistas em fuga da ciência americana sob governo Trump
Canadá atrai cientistas em fuga da ciência americana sob governo Trump

Canadá atrai cientistas em fuga da ciência americana sob governo Trump

Êxodo científico dos EUA para o Canadá ganha força O Canadá tem se posicionado como um refúgio para cientistas que buscam escapar do que descrevem como um ambiente cada vez mais hostil à pesquisa nos Estados Unidos, especialmente sob a gestão do presidente Donald Trump. A epidemiologista Sheryl Magzamen é um exemplo. Cansada dos cortes […]

Resumo

Êxodo científico dos EUA para o Canadá ganha força

O Canadá tem se posicionado como um refúgio para cientistas que buscam escapar do que descrevem como um ambiente cada vez mais hostil à pesquisa nos Estados Unidos, especialmente sob a gestão do presidente Donald Trump. A epidemiologista Sheryl Magzamen é um exemplo. Cansada dos cortes orçamentários em sua área e da perda de liberdade acadêmica, ela migrou da Universidade do Colorado para a Universidade de Montreal, no Canadá. Magzamen não está sozinha: outros 47 cientistas de diversas nacionalidades já se mudaram ou planejam fazê-lo em breve, atraídos por uma estratégia canadense de captação de talentos internacionais.

A iniciativa do governo de Ottawa, lançada em meio a tensões comerciais com Washington, prevê um investimento de 1,7 bilhão de dólares canadenses (aproximadamente R$ 6,2 bilhões) ao longo de 12 anos. “Se alguns países reduzem seu orçamento de pesquisa e dão as costas à liberdade acadêmica, nós apostamos ainda mais na ciência e na pesquisa”, declarou a ministra da Indústria canadense, Mélanie Joly, responsável pelo programa. Esses recursos sem precedentes visam fomentar pesquisas de longo prazo, celebradas por pesquisadores como Magzamen, que deixou os EUA com sua família e está aprendendo francês para se integrar ao novo país.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.

Clima hostil e restrições de financiamento nos EUA

Sheryl Magzamen relata ter enfrentado “restrições de financiamento nos Estados Unidos”. Desde o retorno de Donald Trump ao poder em janeiro de 2025, ela viu diversas bolsas de pesquisa para seus trabalhos sobre saúde e mudanças climáticas serem negadas. A administração Trump tem promovido cortes bilionários em financiamentos e feito ameaças abertas a universidades, alterando significativamente o panorama científico em um país tradicionalmente referência mundial em pesquisa.

Phillip Zamore, professor de biologia molecular, também decidiu deixar os Estados Unidos. Ele se mudará da Universidade de Massachusetts para a Universidade McGill, em Montreal, em abril de 2027. Zamore descreve o clima atual para a ciência nos EUA como “hostil” e aponta para condições de trabalho contraproducentes. “É uma sorte que o Canadá continue valorizando a pesquisa científica”, afirma, destacando que contará com um orçamento de mais de um milhão de dólares americanos (mais de R$ 5 milhões) para suas pesquisas.

Autonomia acadêmica e investimentos como atrativos

Além do robusto financiamento, as universidades canadenses oferecem garantias de autonomia acadêmica, um ponto crucial para pesquisadores que se sentem cerceados nos EUA. Sophie D’Amours, reitora da Universidade Laval em Quebec, observa que “nos Estados Unidos, há um controle estatal sobre a ciência e o conhecimento está se deteriorando”. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, a Universidade Laval já contratou 15 pesquisadores vindos dos Estados Unidos.

A atração de talentos científicos não se restringe ao Canadá. Países como França, Reino Unido e a União Europeia também lançaram iniciativas para recrutar pesquisadores americanos. A UE destinará cerca de 500 milhões de euros (aproximadamente R$ 3 bilhões) entre 2025 e 2027 para esse fim. Em maio, a França anunciou a seleção de 60 pesquisadores, a maioria oriunda dos Estados Unidos.

Impacto no cenário acadêmico internacional

Dominique Bérubé, vice-reitora de pesquisa e inovação da Universidade McGill, vê com otimismo a participação de diversos países na contratação desses cientistas. Esses profissionais atuam em áreas de ponta, como inteligência artificial, medicina e setor aeroespacial, representando uma “oportunidade” para o desenvolvimento científico canadense.

Uma pesquisa publicada em março de 2025 pela revista Nature revelou que 75% dos cientistas americanos consideram deixar o país. A tendência se reflete também na escolha de destinos por estudantes internacionais. “Agora é muito mais atrativo para os estudantes realizar seus estudos no Canadá do que nos Estados Unidos”, aponta Phillip Zamore. Ele relata que seu departamento na Universidade de Massachusetts deixou de receber candidaturas para pós-doutorado, quando antes recebia entre uma a duas por semana, evidenciando a mudança no fluxo de talentos globais.

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