Cade declara compra da Medley pela EMS como 'complexa' e adia análise
Cade declara compra da Medley pela EMS como ‘complexa’ e adia análise

Cade declara compra da Medley pela EMS como ‘complexa’ e adia análise

Cade aprofunda análise de compra da Medley pela EMS A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) declarou a operação de compra da Medley pelo grupo EMS como complexa, o que implica em uma análise concorrencial mais aprofundada do negócio avaliado em cerca de R$ 3,2 bilhões. A decisão, anunciada na noite de quinta-feira […]

Resumo

Cade aprofunda análise de compra da Medley pela EMS

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) declarou a operação de compra da Medley pelo grupo EMS como complexa, o que implica em uma análise concorrencial mais aprofundada do negócio avaliado em cerca de R$ 3,2 bilhões. A decisão, anunciada na noite de quinta-feira (17), adia a expectativa das empresas por uma aprovação mais célere da transação.

A classificação de operação complexa indica que o Cade considera necessário um escrutínio maior antes de decidir sobre a autorização. Novas diligências foram determinadas, e informações adicionais foram solicitadas às empresas para avaliar os impactos da aquisição na concorrência, com foco especial nos mercados de medicamentos estimulantes da ovulação e para tratamento de enxaqueca. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Cade.

Foco em mercados específicos

A aquisição, anunciada em março deste ano, envolve 100% da Medley, até então pertencente à farmacêutica francesa Sanofi, pela Novamed, braço do grupo EMS. A EMS, controlada pelo empresário Carlos Sanchez, vê o negócio como estratégico para expandir sua atuação no mercado brasileiro de medicamentos genéricos. A expectativa inicial das empresas era de que a operação fosse aprovada ainda em julho, mas a magnitude do negócio e as sobreposições em diversas classes terapêuticas levaram à necessidade de um exame mais detalhado.

A análise técnica do Cade identificou que a operação abrange a aquisição de 253 medicamentos, majoritariamente genéricos, atuando em 120 mercados distintos. Embora a maioria desses mercados não gere preocupações, o Cade busca aprofundar a investigação sobre a rivalidade, as barreiras de entrada para novos concorrentes e o cenário competitivo, especialmente nos segmentos de remédios para enxaqueca e estimulantes de ovulação. Nesses nichos, a participação combinada de EMS e Medley pode atingir patamares significativos: entre 90% e 100% das unidades vendidas de estimulantes de ovulação e entre 50% e 60% no volume de medicamentos para enxaqueca, segundo dados de 2025 analisados pelo órgão.

Próximos passos e expectativas

A declaração de complexidade não representa uma reprovação imediata, mas sim um aprofundamento da análise. O Cade pode, ao final do processo, aprovar a operação sem restrições, impor condições para sua aprovação (como a venda de determinados medicamentos) ou, em um cenário atualmente considerado improvável pelos técnicos, recomendar a reprovação total. O prazo legal para análise de atos de concentração no Cade é de 240 dias, prorrogáveis por mais 90, mas a expectativa é que o parecer final seja emitido em outubro, após as empresas fornecerem as informações adicionais solicitadas em até 15 dias.

A EMS reitera sua confiança no processo e no rigor da análise do Cade, defendendo que o mercado de genéricos é pulverizado e conta com diversos concorrentes, o que impediria o exercício de poder excessivo após a fusão. A empresa também planeja manter a marca Medley e sua estrutura industrial, incluindo a fábrica em Campinas e seus funcionários, com as operações comerciais das duas marcas preservadas de forma separada. A conclusão da transação, no entanto, permanece condicionada à aprovação do Cade e a outras exigências regulatórias.

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