Itamaraty contesta justificativas de Washington para revogação de credenciais diplomáticas.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) manifestou nesta terça-feira (4) um forte repúdio à decisão dos Estados Unidos de cancelar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Em nota oficial, o governo brasileiro classificou as justificativas apresentadas pela administração de Donald Trump como infundadas e acusou o governo americano de promover uma “escalada deliberada de medidas hostis”.
A crise diplomática entre os dois países se acentuou após reclamações dos Estados Unidos sobre a demora no processo de agrément – a anuência diplomática – de seu novo representante no Brasil, e também sobre supostas retaliações à entrada de diplomatas norte-americanos em território brasileiro. Em resposta direta a esses pontos, o governo de Trump revogou o visto de Viotti, chefe da missão brasileira em Washington.
O Itamaraty, por sua vez, defendeu a condução do processo brasileiro, destacando que os trâmites para a concessão de agrément são de natureza “confidencial”, conforme estabelecido pelo artigo 4º da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. O ministério apontou ainda que os próprios Estados Unidos teriam violado o protocolo ao divulgar publicamente o nome de seu indicado antes da formalização do pedido, o que o Brasil considera uma quebra de costume diplomático.
O comunicado oficial reiterou que não há prazos predefinidos no direito internacional para a concessão de agrément, e que a solicitação americana segue em análise pelo governo brasileiro. A nota também esclareceu a recusa de visto a dois funcionários americanos, afirmando que a dupla pretendia viajar ao Brasil com o objetivo de “colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro”, caracterizando a ação como uma inaceitável tentativa de ingerência em um período crucial para a democracia do país, às vésperas da corrida presidencial.
Impasse se soma a sanções e tentativas de diálogo.
O atual impasse diplomático ocorre em um contexto de persistência de sanções, impostas por meio de taxas pela Casa Branca contra o Brasil, sob a alegação de perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão por suposta tentativa de golpe de Estado. Segundo o Itamaraty, o Brasil tem buscado ativamente “saídas negociadas” para as tensões.
Durante uma visita a Washington em maio passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou diretamente a questão com seu homólogo americano, Donald Trump, solicitando o levantamento das restrições impostas. No entanto, essas gestões não foram suficientes para reverter o endurecimento da postura de Washington, que o Planalto interpreta como uma manobra com potencial para influenciar o cenário da sucessão presidencial brasileira.
O dia foi marcado por tensões nas relações bilaterais, com o rebaixamento das relações entre Brasil e Argentina como pano de fundo, evidenciando um período de instabilidade nas relações diplomáticas do país sul-americano.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
