A frustração com narrações e comentários em jogos internacionais leva a um pedido por mais opções de áudio original.
A paixão pelo futebol e outros esportes internacionais tem ganhado cada vez mais espaço nas transmissões brasileiras. Com a volta de competições como a Premier League, Champions League, Bundesliga, La Liga, além do crescimento da NFL no país, os aficionados têm uma oferta vasta e diversificada. No entanto, para uma parcela crescente de espectadores, a experiência está longe de ser ideal, gerando uma demanda crescente pela liberação do áudio original, conhecido como SAP (Second Audio Program).
A irritação com certos estilos de narração e comentários, muitas vezes caracterizados por um tom excessivamente empolgado ou por frases consideradas clichês e repetitivas, tem levado muitos a buscarem alternativas. A própria experiência de assistir a um jogo que, por vezes, parece ter sua emoção artificialmente inflada, ou a repetição de expressões que remetem a contextos cotidianos, como bordões de feirantes, afasta o espectador que busca uma apreciação mais genuína do esporte.
A descoberta da opção de áudio original, como ocorreu recentemente em uma transmissão da NFL pela Netflix, onde o narrador informou sobre a disponibilidade da narração em inglês, foi um alívio para muitos. A ESPN já oferece essa facilidade em todos os jogos da NFL e em parte dos jogos da Premier League, mas a ausência dessa opção em outras plataformas e em todas as partidas de certas ligas é vista como uma oportunidade perdida.
A busca por autenticidade na transmissão esportiva
A crítica não se dirige a narradores e comentaristas específicos, mas sim a um padrão que, para alguns, se tornou a regra: a dificuldade em encontrar transmissões que fujam do comum. A versatilidade de alguns profissionais, como Everaldo Marques na Globo, ou a sintonia de duplas como Fernando Nardini e Rafael Oliveira na Cazé TV, ou Ari Aguiar e Paulo Antunes na ESPN, são exceções que confirmam a regra da insatisfação geral. A dificuldade reside na tentativa de transformar qualquer partida, por mais modesta que seja, em um evento épico, onde todo gol é golaço e toda defesa é espetacular.
Frases como “Futebol tem muito disso, né? Existe um time que tá melhor que o outro, e existe a bola entrar no gol” ou a ideia de que o futebol é a “arte do possível”, que para alguns soa como um erro filosófico, exemplificam o tipo de comentário que pode levar à troca de canal. A comparação com a arte do Bonsai ou da cerâmica, que também são “arte do possível”, evidencia a busca por uma profundidade que, por vezes, parece ausente.
O apelo pela liberdade do SAP
Diante desse cenário, o apelo é claro para os responsáveis pelas transmissões de jogos internacionais no Brasil: a liberação do áudio original, o SAP, para todas as partidas. Permitir que o espectador escolha entre a narração e os comentários em português ou o som ambiente e as falas originais dos comentaristas estrangeiros não apenas atende a uma demanda crescente, mas enriquece a experiência esportiva, oferecendo autenticidade e diversidade na forma de acompanhar os esportes que tanto amamos.
