Nova opção terapêutica para diabetes tipo 2 é aprovada no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu registro ao Kyinsu, medicamento inovador da farmacêutica Novo Nordisk. A nova caneta injetável combina em uma única aplicação semanal a insulina icodeca, uma insulina basal de longa duração, com a semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1. A aprovação, publicada no Diário Oficial da União, representa um avanço no tratamento de adultos com diabetes tipo 2 que não alcançam os níveis adequados de controle da doença com as terapias atuais.
O Brasil enfrenta um cenário preocupante em relação ao diabetes, com 16,6 milhões de adultos vivendo com a condição, segundo o Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF). Essa realidade posiciona o país na sexta colocação mundial em número de casos. A nova medicação surge como uma alternativa para otimizar o manejo da doença, oferecendo uma abordagem combinada em uma única dose semanal.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Anvisa e pela farmacêutica Novo Nordisk.
Como a combinação atua no organismo
O Kyinsu é o primeiro medicamento aprovado no Brasil a associar em dose fixa insulina basal e um agonista do receptor de GLP-1 em uma aplicação semanal. Segundo especialistas, os dois componentes atuam de maneira complementar. A insulina icodeca é responsável por manter os níveis de glicose sob controle entre as refeições e durante o período de sono, enquanto a semaglutida atua principalmente após as refeições, auxiliando na redução da glicose e também no controle do peso corporal.
O endocrinologista Júnio Américo Batatinha, doutorando no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que a união desses mecanismos em uma única aplicação semanal pode simplificar o tratamento, reduzir o número de injeções e mitigar efeitos colaterais como o ganho de peso e a hipoglicemia, que são frequentemente associados à intensificação do tratamento com insulina isolada.
Indicações e cenários de uso
Apesar da aprovação, é fundamental ressaltar que o uso da nova caneta combinada não é indicado para todos os pacientes com diabetes. A endocrinologista Fernanda Parra esclarece que a decisão de prescrever o medicamento depende do quadro clínico individual, do controle glicêmico já alcançado, dos tratamentos que o paciente já utiliza e dos objetivos terapêuticos estabelecidos em conjunto com o médico.
Dois cenários principais podem se beneficiar dessa nova terapia. O primeiro envolve pacientes que já utilizam insulina basal, mas cujos níveis de hemoglobina glicada permanecem acima da meta individualizada. Nesses casos, a adição da ação da semaglutida pode aprimorar o controle glicêmico sem a necessidade de aumentar progressivamente a dose de insulina. O segundo cenário abrange pacientes que já fazem uso de agonistas de GLP-1, como a semaglutida, mas que ainda necessitam de uma ação adicional de insulina para atingir o controle adequado da glicose.
Resultados de estudos clínicos e segurança
A aprovação do Kyinsu baseia-se nos resultados do programa de estudos clínicos de fase 3 Combine, conduzido pela Novo Nordisk. Esses estudos envolveram cerca de 2.500 adultos com diabetes tipo 2 em diferentes estágios do tratamento. Em todas as fases, a medicação semanal demonstrou cumprir seus objetivos primários.
Comparado ao uso isolado da insulina icodeca ou da semaglutida, a combinação demonstrou uma redução mais expressiva da glicemia, resultou em maior perda de peso e apresentou uma diminuição de até 88% nos episódios de hipoglicemia significativa ou grave. Em termos de segurança e tolerabilidade, os perfis observados com a combinação foram semelhantes aos já conhecidos para cada um dos componentes quando utilizados separadamente.
