Governo brasileiro não pretende retaliar os Estados Unidos em resposta ao novo aumento de tarifas sobre exportações nacionais. A declaração foi feita pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) nesta terça-feira (21), após reuniões com setores produtivos afetados pela medida americana. Segundo Alckmin, a estratégia do governo Lula (PT) é buscar a correção de “injustiças” por meio de “instrumentos adequados” e audiências públicas, evitando um ciclo de retaliações que poderia prejudicar ambos os lados.
“A ideia não é retaliação. Olho por olho pode acontecer dos dois ficarem cegos. Então, a reciprocidade é ‘olha, estamos sendo injustiçados, e nós queremos corrigir isso, temos instrumentos para fazê-lo’. No momento oportuno, da forma adequada”, explicou o vice-presidente, após ouvir representantes de entidades como Abiplast, Anfavea e Sindipeças.
O novo tarifaço imposto pelos EUA atinge cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado americano, totalizando aproximadamente US$ 7,4 bilhões. Setores como eletroeletrônicos, autopeças e calçados estão entre os mais vulneráveis. As novas alíquotas, que entram em vigor nesta quarta-feira (22), geram preocupação quanto ao impacto na geração de empregos e nos custos de produção.
Pacote de medidas e diversificação de mercados
Para mitigar os efeitos do aumento tarifário e socorrer a indústria nacional, o governo federal estuda um pacote de medidas. Entre as ações em discussão estão a diversificação de mercados, com o objetivo de ampliar acordos comerciais com países como Índia, México, Japão e União Europeia. Além disso, o Executivo pretende fortalecer o programa Brasil Soberano, voltado para investimentos e capital de giro.
O vice-presidente também mencionou que está em pauta a possibilidade de postergar o drawback, mecanismo que suspende impostos sobre insumos de produtos exportados, e o uso do Reintegra, regime especial para a reintegração de valores tributários para empresas exportadoras. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, informou que novas reuniões com o setor privado serão realizadas para coletar dados e sugestões sobre como minimizar os impactos.
Cenário de incertezas e próximos desdobramentos
A situação pode se agravar na próxima sexta-feira (24), com a expectativa de um anúncio sobre uma possível tarifa adicional de 12,5% por parte dos Estados Unidos. O governo brasileiro aguarda para confirmar se essa nova taxa será cumulativa aos 25% já estabelecidos. Um marco decisivo ocorrerá em 29 de julho, quando as tarifas de 25% entrarão efetivamente em vigor para bens que já estão em trânsito. As informações foram reunidas a partir de declarações do vice-presidente Geraldo Alckmin.
