A eficácia dos adesivos para espinhas varia conforme o tipo e o estágio da lesão. Dermatologistas explicam quando apostar nesses produtos.
Os adesivos para espinhas, conhecidos como patches de hidrocoloide, ganharam destaque nas prateleiras e nas redes sociais, atraindo consumidores de todas as idades com suas versões transparentes, coloridas e com formatos lúdicos. No entanto, a eficácia desses produtos no tratamento da acne é uma questão que depende diretamente do tipo de lesão e do seu estágio de desenvolvimento.
De acordo com dermatologistas, os adesivos feitos de hidrocoloide podem, de fato, acelerar o processo de cicatrização e diminuir a inflamação em certas espinhas. Eles funcionam absorvendo a secreção da lesão e mantendo um ambiente úmido e controlado, ideal para a recuperação da pele. Além disso, atuam como uma barreira física, impedindo que a lesão seja espremida ou manipulada, o que pode levar a infecções secundárias e ao surgimento de manchas.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pelo Einstein Hospital Israelita.
Quando os adesivos são mais eficazes?
O melhor resultado com o uso dos adesivos de hidrocoloide é observado quando a espinha já apresenta uma pústula com um ponto branco visível. Nesse cenário, o material consegue absorver ativamente o pus e o exsudato (líquido liberado pela lesão), o que resulta na redução do volume, inchaço e vermelhidão da espinha. Eles também são indicados quando a espinha já se rompeu, agindo como um curativo que protege a área contra sujeira e radiação UV, além de preservar a umidade natural da pele para favorecer a cicatrização.
Em estágios iniciais de inflamação, quando a lesão é apenas uma pápula sensível e sem ponto branco, o benefício do adesivo é mais limitado, funcionando principalmente como um impedimento para a manipulação. Para espinhas internas, como cistos e nódulos profundos, e também para comedões (cravos abertos ou fechados), esses adesivos não apresentam benefícios significativos.
Adesivos com ativos e como usá-los corretamente
Além dos modelos tradicionais de hidrocoloide, existem no mercado adesivos que contêm ingredientes ativos como ácido salicílico, niacinamida e até microagulhas dissolvíveis. Estes podem oferecer uma ação complementar, mas as evidências científicas sobre o benefício adicional dessas substâncias ainda são consideradas limitadas por especialistas.
Para garantir a segurança e eficácia, é fundamental adquirir produtos com registro na Anvisa. A aplicação correta envolve garantir que a pele esteja limpa e completamente seca, sem o uso prévio de cremes, séruns ou óleos na área, pois isso pode comprometer a aderência do adesivo. O produto deve cobrir toda a lesão e ser pressionado suavemente por cerca de 10 a 20 segundos. A permanência ideal varia entre seis e 24 horas, ou até que o adesivo mude de cor, tornando-se opaco e esbranquiçado, indicando a absorção da secreção.
Pessoas que utilizam tratamentos tópicos como retinoides ou peróxido de benzoíla devem ter cautela. A oclusão causada pelo adesivo pode intensificar a penetração dessas substâncias, levando a irritações severas. Nesses casos, os ácidos devem ser aplicados apenas nas áreas ao redor da lesão. Ao remover o adesivo, faça-o lentamente pelas bordas e hidrate a pele para auxiliar na recuperação da barreira cutânea.
Quando procurar um dermatologista
É crucial entender que os adesivos para espinhas não tratam a causa raiz da acne. Para indivíduos que sofrem com espinhas frequentes ou quadros de acne moderada a grave, a consulta com um dermatologista é indispensável. O médico poderá avaliar o processo inflamatório e indicar o tratamento adequado para evitar o desenvolvimento de cicatrizes permanentes, algo que os adesivos, por si só, não conseguem realizar.
