Presidente dos EUA propõe espaçamento e revisão de vacinas infantis
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva nesta segunda-feira (10) com novas recomendações sobre o calendário de vacinação infantil. A medida propõe o espaçamento da aplicação de vacinas em crianças e uma ampla revisão dos programas de imunização, incluindo aquelas utilizadas há décadas. A iniciativa ocorre em um momento crítico, com o retorno de milhões de alunos às aulas após as férias de verão e um dos piores surtos de sarampo nos EUA em 35 anos.
Durante a apresentação da ordem, Trump reiterou alegações sobre uma suposta ligação entre vacinas e autismo, apesar da comunidade científica ser unânime em afirmar a inexistência de evidências que sustentem essa correlação. “As crianças recebiam apenas uma pequena fração das vacinas exigidas hoje”, declarou o presidente, sugerindo uma relação causal com a saúde infantil da época e a incidência de autismo. Trump, no entanto, admitiu não saber a causa do autismo.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters e Associated Press.
Detalhes da Ordem Executiva e Críticas da Comunidade Médica
A ordem executiva não apenas sugere o espaçamento da aplicação de vacinas, mas também recomenda a separação da vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) em aplicações individuais, em vez da dose combinada. Além disso, propõe adiar a vacina contra hepatite B para a adolescência. Especialistas da Academia Americana de Pediatria (AAP) alertam que o desenvolvimento e aprovação de vacinas separadas poderiam levar mais de uma década. Andrew Racine, presidente da AAP, ressaltou a importância de continuar utilizando vacinas cuja segurança é comprovada por décadas de dados.
Autoridade Federal e Repercussões da Medida
É importante notar que o governo federal americano não possui autoridade direta para impor decisões sobre vacinação; essa competência recai sobre os estados, que determinam as exigências de imunização para a frequência escolar. Portanto, a medida de Trump tem um caráter mais recomendatório do que obrigatório. Paralelamente, o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., conhecido por sua postura cética em relação a vacinas, tem liderado uma revisão dos programas de imunização. Essas ações, incluindo a redução de recursos para o desenvolvimento de novas vacinas, têm recebido críticas contundentes da comunidade médica e científica.
