Petistas acusam ministro de favorecimento e pedem apuração de vínculos com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Os deputados federais Rui Falcão (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) apresentaram nesta segunda-feira (12) um pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para que seja instaurada uma investigação contra o colega de corte, Nunes Marques. A solicitação aponta supostos vínculos entre o magistrado e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, levantando suspeitas de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio, prevaricação e participação em organização criminosa.
O pedido ganha contornos institucionais ainda mais delicados ao considerar que Nunes Marques preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão responsável pela condução das eleições presidenciais, disputadas atualmente por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa dos parlamentares petistas ocorre em meio a um crescente escrutínio sobre as decisões do ministro, que tem sido alvo de críticas por parte da oposição.
Para embasar a representação, os deputados citam mensagens trocadas, registros judiciais e informações sobre contratos que, segundo eles, indicariam as irregularidades. O ministro Nunes Marques, por sua vez, nega veementemente qualquer ato ilícito ou favorecimento indevido.
Episódios sob suspeita e negativas do ministro
Entre os episódios destacados na representação, figura a decisão referente à Destilaria Alcídia. Os parlamentares alegam que Nunes Marques proferiu um voto de desempate favorável aos interesses do Banco Master em outubro de 2024, após ter retirado um impedimento previamente registrado. A justificativa apresentada para a mudança de posição foi um suposto equívoco cometido por sua assessoria.
Outro ponto levantado pelos deputados envolve mensagens que sugeririam pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Nunes Marques. Embora os registros citados não comprovem tais transações, Kevin de Carvalho Marques nega ter prestado serviços ao Banco Master, afirmando ter atuado em questões tributárias para a empresa Consult. A defesa do ministro sustenta que não houve recebimento de valores por parte de seu filho.
A representação também menciona um contrato de honorários firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Camilla Ewerton Ramos, com valores que poderiam chegar a R$ 427 milhões. Os deputados relacionam este contrato a mensagens que continham a expressão “Turma do KN”. O ministro Nunes Marques reiterou sua negativa em relação a recebimento de valores, contatos com Daniel Vorcaro e qualquer tipo de favorecimento ao empresário.
Contexto de tensões e reuniões no TSE
O pedido de investigação surge em um momento de acirramento das tensões políticas e eleitorais. Recentemente, Nunes Marques atendeu a um requerimento de Flávio Bolsonaro e determinou a suspensão do canal “Exército do Lula” no YouTube, gerido pelo deputado André Janones (Rede-MG). A decisão, contudo, foi posteriormente revogada pelo corregedor eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a acusar o ministro de censura e parcialidade na condução do processo eleitoral.
Nesse cenário de controvérsias, Nunes Marques convocou para esta terça-feira (13) uma reunião com as equipes jurídicas das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, agendada para as 15h30. A representação protocolada pelos deputados petistas adiciona, portanto, mais pressão sobre o ministro que comanda a Corte Eleitoral em um período crucial para o país.
As informações foram apuradas com base em notícias divulgadas pela imprensa.
