A inteligência artificial (IA) está se tornando uma aliada poderosa na decifração de textos antigos e códigos históricos, acelerando processos que antes demandavam semanas de trabalho manual. Recentemente, modelos de IA foram empregados com sucesso na análise de uma carta codificada de Napoleão Bonaparte, em papiros carbonizados da antiga Herculano e em manuscritos hebraicos, prometendo uma nova era de descobertas históricas.
Uma carta de 1809, escrita por ordem de Napoleão Bonaparte e endereçada a um de seus generais, detalhando posições de tropas, foi decifrada em apenas seis horas por um engenheiro de IA. O processo, que sem o auxílio tecnológico poderia levar semanas, demonstra a capacidade da IA em lidar com a complexidade de mensagens codificadas. Carter Church, o engenheiro responsável, destaca a “perseverança” como uma das principais contribuições da IA neste campo.
O avanço tecnológico também se estende à análise de artefatos frágeis e danificados pelo tempo. Os papiros de Herculano, carbonizados pela erupção do Vesúvio em 79 d.C., representavam um desafio monumental devido à sua fragilidade, impedindo o desenrolamento sem que se desintegrem. Através de escaneamentos com raios X e posterior análise por IA, pesquisadores conseguiram revelar a escrita oculta nesses rolos. Em junho, um projeto na Itália anunciou a reconstituição virtual completa de um papiro da Biblioteca Nacional de Nápoles, revelando um tratado estoico sobre ética, segundo informações de Federica Nicolardi, professora associada de papirologia na Universidade de Nápoles.
Projetos Colaborativos Ampliam o Acesso ao Passado
Na França, o projeto “Back in time” une historiadores, criptógrafos e especialistas em IA para criar ferramentas que transcrevam e decifrem missivas diplomáticas e militares codificadas. Estima-se que milhares de documentos históricos, utilizando símbolos inventados, estejam esquecidos em arquivos europeus, contendo informações sobre séculos inteiros dos quais o conhecimento é escasso. Cécile Pierrot, criptógrafa do Inria e líder científica do projeto, expressa a esperança de que o avanço contínuo da IA proporcione uma compreensão “muito mais ampla sobre a história”.
IA como “Facebook do Passado” para Historiadores
Além da decifração, a IA se mostra fundamental na análise de vastas quantidades de documentos, tarefa humanamente impossível em larga escala. O projeto Midrash, por exemplo, utiliza IA para transcrever milhões de páginas de manuscritos hebraicos, criando extensos bancos de dados consultáveis sobre a cultura judaica. Daniel Stökl Ben Ezra, diretor de estudos em Ciências Históricas na École Pratique des Hautes Études, compara essa iniciativa a um “grande Facebook do passado”, onde historiadores podem descobrir conexões entre pessoas, locais, textos e ideias.
A digitalização e análise massiva de documentos históricos pela IA prometem não apenas resgatar informações perdidas, mas também recontextualizar o conhecimento existente, oferecendo novas perspectivas sobre civilizações e eventos passados. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por fontes especializadas em tecnologia e história.
