Advogado investigado em fraude do INSS é suspeito de lavar bilhões em apostas online
Advogado investigado em fraude do INSS é suspeito de lavar bilhões em apostas online

Advogado investigado em fraude do INSS é suspeito de lavar bilhões em apostas online

Polícia Federal investiga se advogado utilizou plataformas de apostas para lavar dinheiro obtido em esquema contra o INSS. A Polícia Federal (PF) está apurando se o advogado Willer Tomaz de Sousa, já investigado em um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), utilizou casas de apostas para lavar […]

Resumo

Polícia Federal investiga se advogado utilizou plataformas de apostas para lavar dinheiro obtido em esquema contra o INSS.

A Polícia Federal (PF) está apurando se o advogado Willer Tomaz de Sousa, já investigado em um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), utilizou casas de apostas para lavar dinheiro. Suspeita-se que Tomaz tenha movimentado entre R$ 5 bilhões e R$ 7 bilhões em operações de apostas entre janeiro de 2025 e julho de 2026. Nesse mesmo período, o advogado teria registrado perdas financeiras na ordem de R$ 188,5 milhões.

As informações surgiram a partir de uma ação judicial movida pelo próprio Tomaz contra a Blaze, uma casa de apostas conhecida por patrocinar o jogador Neymar Jr. e que já teve a influenciadora Virgínia Fonseca como garota-propaganda. O processo, protocolado em agosto deste ano, tramita sob sigilo e foi obtido pelo site Metrópoles, com confirmação obtida pela Gazeta do Povo junto a fontes ligadas à investigação. A reportagem procurou Willer Tomaz para comentar o caso, mas ainda aguarda retorno.

Ludopatia como defesa e pedido de restituição

Willer Tomaz é alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF. Em uma das fases desta operação, o advogado foi apontado como um suposto operador financeiro, patrimonial e logístico de um esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Na ação contra a Blaze, a defesa de Tomaz alega que ele foi diagnosticado com ludopatia, um transtorno caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de jogar e apostar. Com base nesse diagnóstico, a defesa pede a restituição dos valores que foram enviados à plataforma de apostas.

Segundo os dados apresentados pela defesa de Tomaz, ele realizou 2.145 depósitos na Blaze ao longo de 18 meses, totalizando R$ 325 milhões. O dinheiro era empregado em apostas sucessivas. A defesa sustenta que o montante real pode ser ainda maior, uma vez que não foi possível acessar registros anteriores a 2025. As mesas de cassino online são apontadas como a principal fonte das perdas, com apostas que poderiam chegar a R$ 500 mil em rodadas de aproximadamente 30 segundos. A defesa alega que Tomaz comunicou seu diagnóstico à empresa, solicitou o bloqueio definitivo de sua conta em três ocasiões e enviou uma notificação pré-litigiosa ao gerente responsável pela plataforma.

Contestações e limites de apostas

A Blaze, por sua vez, contesta a classificação dos R$ 188,5 milhões como prejuízo, questionando os valores apresentados pela defesa. A empresa argumenta que o movimento líquido da conta não configura dano, mas sim a diferença entre entradas e saídas de uma conta que funcionou como uma espécie de conta corrente, com transações ocorrendo muitas vezes no mesmo dia. A defesa de Tomaz também levanta questões sobre os limites estabelecidos pela plataforma para depósitos e saques, notando que era possível depositar até R$ 500 mil de uma vez, enquanto os saques eram limitados a R$ 100 mil por operação. O processo menciona um episódio em que o advogado teria realizado 16 saques de R$ 100 mil em poucos minutos e, ao tentar retirar mais R$ 100 mil, teve a operação bloqueada.

Os autos do processo relatam que, em uma única noite, o advogado teria movimentado R$ 1,9 milhão em apostas, encerrando o período com apenas R$ 0,29 em sua conta. Outro ponto levantado é a criação, pela Blaze em abril de 2023, de um grupo exclusivo de WhatsApp para atendimento a Tomaz, em um período anterior à regulamentação das casas de apostas no Brasil. A defesa alega ainda que os limites das mesas de cassino, inicialmente em R$ 125 mil, foram elevados a partir de pedidos do próprio advogado. Durante o período analisado, a Blaze teria oferecido R$ 42,2 milhões em “estímulos” a Tomaz, descritos como bônus relacionados à sua frequência nas apostas.

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