Novo livro de Michael E. Long oferece um guia prático para gerenciar a dopamina e seus efeitos em vícios comportamentais, como o uso excessivo de redes sociais, jogos e a busca por prazer sexual. A obra “Como Domar a Dopamina” (Sextante, 2025) surge como uma continuação do trabalho anterior do autor, “Dopamina: a molécula do desejo” (2023), onde Long, um físico de formação, se dedica a traduzir conceitos científicos para o público leigo. O objetivo é capacitar os leitores a identificar e modificar padrões de comportamento que podem levar a excessos e dependências.
A dopamina, frequentemente associada ao prazer e à recompensa, é a chave para a compreensão dos vícios modernos. O livro detalha a influência dessa molécula nos nossos hábitos, sob uma perspectiva fisiológica, com o intuito de ajudar as pessoas a desviarem o foco de atividades que, em excesso, se tornam prejudiciais. A abordagem central é a de uma “revitalização de dopamina”, um processo que visa substituir a busca por estimulação intensa e imediata pela apreciação de prazeres mais sutis e duradouros.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela editora Sextante.
O conceito de ‘jejum de dopamina’
Michael E. Long argumenta que é impossível eliminar completamente a dopamina da vida, mas é viável reduzir o impacto de estímulos dopaminérgicos problemáticos. Ele propõe um método gradual, comparado a um treino físico, para evitar choques no organismo. O primeiro passo consiste em substituir atividades de alta estimulação por outras mais calmas em momentos específicos do dia, como trocar o tempo de tela por leitura ou uma caminhada. A radicalização viria em seguida, com a eliminação direta de gatilhos, como deletar aplicativos de redes sociais em vez de tentar usá-los com moderação. O autor enfatiza que o objetivo não é banir o prazer, mas sim cultivar uma disciplina rigorosa nas escolhas, focando na apreciação de experiências mais profundas.
Gerenciando impulsos em relacionamentos e sexo
O livro aborda o amor romântico e a paixão como fenômenos dopaminérgicos que podem se tornar prejudiciais. Long sugere questionamentos introspectivos para entender a atração, comparando as qualidades de um novo interesse amoroso com experiências passadas e analisando a consistência dos sentimentos na ausência do outro. Para a luxúria, a recomendação é listar os motivos para resistir a impulsos e praticar a atenção plena em momentos íntimos, buscando alternativas para pensamentos obsessivos. O sexo, por sua vez, é identificado como um dos impulsos mais poderosos e uma experiência dopaminérgica com alto potencial de compulsão. Long propõe um autoexame através de perguntas práticas para determinar se o ato sexual é uma fonte de prazer genuíno ou uma forma de servidão, avaliando a intensidade, a frequência e o impacto moral e prático na vida do indivíduo.
Redes sociais, notícias e jogos: o novo campo de batalha da dopamina
As redes sociais são apontadas como um exemplo paradigmático do apelo viciante da dopamina, onde a expectativa do próximo post interessante mantém os usuários engajados. O livro sugere estratégias como silenciar notificações, dificultar o acesso aos aplicativos (desinstalando-os ou excluindo contas) e reduzir a concessão de dados aos algoritmos para tornar os feeds menos atraentes. Da mesma forma, o consumo excessivo de notícias é comparado à lógica das redes sociais, com a sugestão radical de um “ano sem noticiário” para reeducar o cérebro. Os jogos, especialmente as apostas online, são destacados como um problema de saúde pública, onde a solidão e a busca por recompensa rápida alimentam o ciclo vicioso. Para combatê-los, Long recomenda buscar companhia, definir limites de tempo e identificar os gatilhos que levam ao desejo de jogar, a fim de direcionar a atenção para outras atividades preventivamente.
