Eduardo Bolsonaro busca sanções dos EUA contra ministros do STF
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro esteve em Washington nesta quarta-feira (16) para se reunir com integrantes do governo do presidente Donald Trump. Durante o encontro, ele solicitou a aplicação de sanções por parte dos Estados Unidos contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. A informação foi inicialmente divulgada pela CNN Brasil e confirmada à Gazeta do Povo pelo jornalista e empresário Paulo Figueiredo, que também informou sobre outros encontros previstos para a semana na capital americana. As identidades das autoridades americanas presentes na reunião desta quarta-feira não foram reveladas.
O pedido de Eduardo Bolsonaro ocorre um dia após uma sessão do STF que abordou a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Na terça-feira (15), o ex-deputado já havia anunciado sua intenção de apresentar registros da sessão às autoridades americanas, expressando em redes sociais que levaria informações para Washington, onde esperava o início de uma nova rodada de sanções.
STF adia decisão sobre investigação contra Moraes
A sessão plenária do STF de terça-feira terminou sem uma definição sobre a eventual investigação contra Alexandre de Moraes. A análise de uma questão de ordem que debatia se duas petições envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça deveriam ser julgadas conjuntamente foi interrompida por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. O mérito das petições, especialmente a relacionada a Moraes, não chegou a ser examinado.
Durante a mesma sessão, Flávio Dino comentou publicamente as notícias sobre possíveis novas sanções americanas contra membros do Supremo. O ministro criticou a ideia de “pressão estrangeira” sobre a Corte e afirmou que sua posição não seria alterada por medidas dos Estados Unidos.
Histórico de sanções e articulações
Alexandre de Moraes já foi alvo de sanções dos EUA sob a Lei Magnitsky no ano passado. Em julho de 2025, o Departamento do Tesouro americano incluiu o ministro na lista de sancionados, citando violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão. Contudo, em dezembro do mesmo ano, o governo americano retirou Moraes, sua esposa e o Instituto Lex da lista. Desde então, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo têm defendido publicamente a retomada dessas medidas contra o ministro.
A articulação de Eduardo Bolsonaro em Washington foi antecipada na segunda-feira (14), quando Paulo Figueiredo confirmou à Gazeta do Povo que o ex-deputado teria reuniões na capital americana para discutir, entre outros temas, novas sanções contra Moraes. Na ocasião, detalhes sobre os interlocutores e locais dos encontros não foram divulgados.
