Operação Make Up investiga direcionamento de recursos públicos para produção cinematográfica
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a deflagração da Operação Make Up, da Polícia Federal, que apura indícios de desvio de aproximadamente R$ 2 milhões em verbas públicas. Os recursos, originários de emendas parlamentares, teriam sido supostamente direcionados a entidades ligadas à produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação aponta que o deputado federal Mário Frias teria sido o responsável por encaminhar essas verbas para duas organizações sociais presididas pela empresária Karina Ferreira da Gama.
As entidades sob suspeita são o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura. Segundo as investigações, essas organizações poderiam ter sido utilizadas como fachada para a lavagem de dinheiro. O montante de R$ 2 milhões teria sido repassado por meio de termos de fomento, acordos que permitem ao governo firmar parcerias com organizações para a execução de projetos. No entanto, as apurações indicam que os serviços contratados teriam sido simulados ou superfaturados, beneficiando empresas supostamente ligadas a um grupo criminoso.
As informações que embasaram a operação foram coletadas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Conexão entre o filme e as verbas públicas
O filme “Dark Horse” tem Mário Frias como roteirista e produtor executivo. A produtora responsável pela obra, a Go Up, pertence a Karina Ferreira da Gama, a mesma empresária que preside as organizações sociais que teriam recebido as emendas parlamentares. A Polícia Federal suspeita que parte do dinheiro público destinado a essas entidades tenha sido, de forma indireta, utilizada para custear despesas da produção cinematográfica, como hospedagem e alimentação, além de remunerar pessoas associadas ao círculo político do deputado.
Medidas judiciais e outras frentes de investigação
Diante das evidências reunidas, o ministro Flávio Dino determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Mário Frias e Karina Gama em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Adicionalmente, foram apreendidos os passaportes dos principais investigados para impedir que deixem o país e prejudiquem o andamento do processo. Uma proibição de contato entre os suspeitos também foi imposta para evitar a coordenação de depoimentos ou a destruição de provas.
Paralelamente, o financiamento da cinebiografia também está sob escrutínio em outra investigação. Essa frente apura a participação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master. Áudios vazados sugerem que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos do empresário para o filme. Embora o senador afirme que se tratava de um contrato privado sem envolvimento de verbas públicas e se disponha a prestar contas, os detalhes financeiros ainda não foram totalmente esclarecidos. A polícia busca determinar se existe uma única organização criminosa estruturada para captar e ocultar recursos públicos em todos esses contratos.
As informações foram apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
