A moda de adornar os dentes com joias, popularizada por celebridades, pode esconder perigos para a saúde bucal se os cuidados com a higiene não forem rigorosos. Especialistas alertam para o risco de acúmulo de placa bacteriana, cáries e inflamações gengivais.
A aplicação de joias sobre os dentes, como a feita recentemente pela influenciadora Virginia Fonseca que ostentou um “V” de diamante em seu sorriso, é um procedimento semipermanente que exige atenção especial à higiene bucal. Embora o procedimento em si não seja invasivo, a presença de um corpo estranho na superfície dentária pode criar um ambiente propício para a proliferação de bactérias caso a escovação e o uso do fio dental não sejam feitos de maneira eficaz.
Segundo cirurgiões-dentistas, a técnica consiste em colar a joia, que pode ser de cristal, ouro ou até mesmo um diamante verdadeiro, diretamente no esmalte do dente. O processo é similar à fixação de um aparelho ortodôntico, utilizando adesivos odontológicos e resina composta, sem a necessidade de perfuração ou desgaste da estrutura dental na maioria dos casos. No entanto, a fixação incorreta ou a falta de higiene adequada ao redor da peça podem levar a complicações.
As informações foram reunidas a partir de declarações de cirurgiões-dentistas ouvidos pela Folha de S.Paulo.
Riscos associados à higiene inadequada
A principal preocupação dos profissionais de odontologia reside no acúmulo de restos alimentares e na formação de placa bacteriana nas irregularidades ao redor da joia. Se a higienização bucal não for rigorosa, essa placa pode levar à desmineralização do esmalte, surgimento de cáries, manchas e até mesmo inflamação da gengiva, resultando em mau hálito. A escovação deve ser feita com suavidade, no sentido da gengiva para o dente, utilizando uma escova macia para remover a sujeira sem aplicar força excessiva.
Avaliação e cuidados prévios são essenciais
Antes de optar por um adorno dental, é fundamental que o paciente passe por uma avaliação odontológica completa. Dentes com cáries, desmineralização, trincas ou gengivas inflamadas são contraindicações para o procedimento. Pessoas que sofrem de bruxismo ou têm o hábito de morder objetos também precisam de atenção especial, pois o risco de desprendimento ou fratura da joia aumenta nesses casos. Para pacientes com restaurações, facetas ou coroas, a aplicação e a remoção exigem cuidados individualizados, pois podem danificar as superfícies desses materiais.
Reversibilidade e riscos da remoção
Embora a aplicação da joia geralmente não envolva desgaste dental significativo, a reversibilidade total do procedimento pode ser questionada. O condicionamento microscópico do esmalte, mesmo que controlado, pode deixar marcas. Além disso, a remoção inadequada ou o uso de materiais não apropriados podem resultar em manchas, sensibilidade, perda de esmalte e, em casos extremos, a necessidade de restaurações. Dentistas reforçam que a aplicação e a remoção devem ser feitas exclusivamente por profissionais, desaconselhando o uso de adesivos caseiros, como cola de unha, devido aos riscos de danos permanentes à saúde bucal.
