Canetas emagrecedoras terão uso regulamentado no SUS, diz Ministro da Saúde
O Sistema Único de Saúde (SUS) deve incorporar as chamadas canetas emagrecedoras nos próximos anos, mas o uso desses medicamentos será estritamente voltado para o tratamento de doenças específicas, como obesidade e diabetes, e não como um “milagre estético”. A declaração foi feita pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), nesta terça-feira (8). Segundo o ministro, as canetas podem desempenhar um papel crucial para pacientes em fila para cirurgia bariátrica ou com problemas cardiovasculares, e há estudos sobre possíveis benefícios no combate a certos tipos de câncer, como o de mama.
Atualmente, o acesso a esses medicamentos na rede pública ainda é limitado, com experiências restritas a poucos pacientes no Rio de Janeiro e protocolos em andamento nas gestões estaduais do Rio, Goiás e no Distrito Federal. Padilha ressaltou que as drogas para o tratamento de diabetes e obesidade serão, “definitivamente, incorporadas no sistema de saúde”, mas não estabeleceu um prazo para a oferta generalizada.
As informações foram reunidas a partir de declarações do Ministro da Saúde e de informações divulgadas pelo Ministério da Saúde.
Protocolos e estudos em andamento
Padilha enfatizou que as canetas serão tratadas como medicamentos, com protocolos específicos que definirão suas aplicações, afastando a ideia de que sejam soluções estéticas. O Ministério da Saúde está conduzindo um estudo principal em Porto Alegre, no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), com cerca de 250 pacientes diagnosticados com obesidade grave ou associada a outras comorbidades, e que possuem indicação para cirurgia bariátrica.
As canetas emagrecedoras são baseadas em agonistas de GLP-1, um hormônio natural que regula a glicose e a saciedade. As substâncias mais comuns são a semaglutida (presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro). A pressão para ampliar o acesso e reduzir os custos desses medicamentos tem crescido, impulsionada por consumidores, indústria farmacêutica e setores políticos. Contudo, o uso indiscriminado para fins estéticos e a proliferação de versões manipuladas ou importadas de forma irregular preocupam associações médicas.
Análise de incorporação e custos para o SUS
A farmacêutica Novo Nordisk já solicitou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) a inclusão do Wegovy na rede pública para pacientes com obesidade que já sofreram infarto. Em uma análise anterior, em 2025, a Conitec negou a incorporação para um público mais amplo, estimando um impacto de até R$ 8 bilhões aos cofres públicos. A nova proposta da empresa prevê o tratamento de 38.598 pacientes anualmente, com um custo estimado entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões.
No ano passado, a Anvisa, atendendo a um pedido do Ministério da Saúde, acelerou a análise de 20 pedidos de medicamentos emagrecedores contendo liraglutida ou semaglutida. Em maio, a agência aprovou a primeira caneta com semaglutida de fabricação nacional, a Ozivy, da EMS, seguida por outras versões, incluindo genéricos que representam uma redução de pelo menos 35% no custo em relação ao produto de referência.
