Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, é alvo de comparações com o imperador romano Nero, em meio a acusações de que estaria fabricando o caos no país para desviar o foco de denúncias graves contra ele. A estratégia, segundo críticos, envolveria acusar outros de irregularidades para criar um “pandemônio” que permitiria sua fuga impune de escândalos.
A comparação surge em um contexto de fortes embates políticos e jurídicos, onde Moraes é acusado de ter negociado e revisado um contrato milionário envolvendo a esposa e um banqueiro sob investigação. Um ex-ministro do STF teria definido a atuação do ministro como um “serviço de consultor da bandidagem”, com suspeitas de que ele agiria para bloquear ou adiar operações contra contraventores, chegando a aconselhar sobre o momento de fuga. Tais conversas teriam sido apagadas posteriormente, em uma tática semelhante à de organizações criminosas, ironicamente, algo que Moraes já criticou em outros contextos.
A tática de “incendiar o país”, como descrita, remete a relatos históricos sobre o imperador Nero, que teria provocado o Grande Incêndio de Roma para consolidar seu poder e justificar a perseguição aos cristãos. No cenário brasileiro, Moraes teria agido como um “deus-imperador”, recebendo louvores de parte da sociedade e da mídia como “herói salvador da democracia”, ao mesmo tempo em que encarcerava opositores e utilizava poderes ampliados, supostamente alheios à Constituição, para reprimir manifestações e prender lideranças políticas.
As informações foram reunidas a partir de relatos e análises de fontes jornalísticas e de declarações de ex-ministros do STF.
A “Doença da Vitória” e a “Consultoria da Bandidagem”
Após um período de aparente controle absoluto, onde críticos foram silenciados ou exilados, Moraes teria caído na “doença da vitória”, um termo japonês para descrever a soberba e o excesso de confiança que levam a erros. A crença de que ninguém notaria ou ousaria investigar suas atividades teria levado à suposta tentativa de enriquecimento familiar através de negociações com o banqueiro.
O ministro, que acusou D. de usar táticas criminosas por mensagens efêmeras, agora é apontado por usar recursos semelhantes para apagar rastros de suas próprias comunicações. Em seu embate com o colega André Mendonça, Moraes teria invertido papéis, acusando-o de interferências que ele próprio teria cometido ao longo dos últimos sete anos, especialmente no inquérito das fake news e na condução da delação premiada de Mauro Cid. Relatos indicam que, no TSE, o ministro teria direcionado alvos de inquéritos, com ordens para que assessores “criativamente” encontrassem algo para incriminar críticos.
Contra-ataque e Apoio de Figuras Chave
Em vez de responder diretamente às acusações, a estratégia de Moraes seria desviar o foco, culpando os mensageiros e buscando punir quem expôs as supostas irregularidades. Essa “cruzada para salvar a própria pele” contaria com o apoio de outros membros da Corte, além do presidente do Senado, do procurador-geral e do próprio presidente da República, figuras que também estariam sob suspeita de envolvimento no escândalo.
A articulação é descrita como uma tentativa de “turma da lama se revoltando contra o pessoal da limpeza”, buscando arrastar os opositores para o mesmo nível de sujeira, a fim de diluir as responsabilidades. A mistura de vozes e acusações criaria um ruído generalizado, impedindo a clareza sobre os fatos. Assim como Nero, Moraes estaria focado em sua própria sobrevivência política e financeira, utilizando o poder para silenciar qualquer dissidência, mesmo que isso signifique o colapso da democracia.
