Oposição critica pedido de investigação de Mendonça por Moraes
O senador Rogério Marinho (PL-RN) classificou o pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar o colega André Mendonça como um “abuso de poder” e uma “inversão intolerável de valores”. Segundo Marinho, Moraes estaria utilizando o Inquérito 4.781, conhecido como “inquérito das fake news”, como um instrumento pessoal para constranger quem conduz apurações que o afetam diretamente. O líder da Oposição afirmou que o inquérito, que já dura sete anos, se tornou uma forma de autoproteção para o ministro, que, em sua visão, deveria prestar esclarecimentos sobre os fatos que o envolvem.
A declaração surge em resposta à solicitação de Moraes ao presidente do STF, Edson Fachin, para que Mendonça seja investigado no âmbito do Inquérito 4.781. O pedido de Moraes alega que Mendonça teria praticado condutas que podem configurar improbidade administrativa e abuso de autoridade, além de quebra de imparcialidade e favorecimento político, em sua relatoria nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. O caso agora será submetido ao plenário do STF para decisão, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) já foi notificada.
A iniciativa de Moraes ocorre dois dias após Mendonça ter retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expôs mensagens trocadas entre o próprio Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na ocasião, Moraes solicitou à PF relatórios de inteligência que mencionassem ministros da Corte. Segundo o ministro, tais documentos indicariam que Mendonça teria direcionado investigações contra ele e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por motivos pessoais e políticos, além de supostas irregularidades na condução de diligências e negociações de colaboração premiada.
Reações de Parlamentares e Figuras Políticas
A oposição reagiu de forma contundente às ações de Moraes. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acusou o ministro de “jogar no lixo” a credibilidade do STF, classificando sua decisão como arbitrária e autoritária, comparando-o a um “Nero brasileiro”. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sugeriu que Mendonça deveria emitir um mandado de prisão contra Moraes durante uma sessão do STF. Outros parlamentares, como Gilson Marques (Novo-SC) e Carlos Portinho (PL-RJ), também criticaram a medida, com Marques chamando Moraes de “ditador” e Portinho acusando o ministro de atribuir a Mendonça condutas que ele próprio teria praticado.
O vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) avaliou que o presidente do STF, Edson Fachin, terá que fazer uma escolha entre os dois ministros, indicando uma escalada no conflito interno. O ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo) classificou o episódio como um momento crítico para a República, questionando a competência de Moraes para acusar um colega de Corte e para conduzir o próprio inquérito. A economista Marina Helena (Novo) e o vereador de São Paulo Fernando Holiday (PL) também manifestaram repúdio, com Holiday afirmando que Moraes “está fora de si” e defendendo seu afastamento.
As manifestações de 7 de Setembro foram novamente mencionadas por alguns opositores como um momento para uma reação “pacífica e democrática” contra o que consideram práticas de exceção e abuso de poder por parte do STF.
