Polícia Federal levanta suspeitas sobre atuação do ministro André Mendonça no STF
A Polícia Federal (PF) elaborou um relatório de inteligência que sugere que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria planejado atingir o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como parte de uma estratégia para recompor forças no tribunal e beneficiar seu grupo político. Segundo a PF, o objetivo seria viabilizar a aprovação da anistia para os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
A investigação surge a partir de um pedido do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou os documentos após Mendonça ter retirado o sigilo de conversas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O relatório da PF indica que Mendonça teria direcionado investigações contra Alcolumbre devido à sua influência política e ao fato de o senador ser o favorito para permanecer na presidência do Senado, cargo que detém o poder de decidir sobre pedidos de impeachment contra ministros do STF.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Polícia Federal.
Suposto direcionamento e desavença antiga
O documento da PF aponta para um possível “enviesamento da condução da supervisão judicial” por parte de Mendonça, com um direcionamento temático e tratamento desigual entre os investigados. A corporação sugere que o ministro relator veria em Antonio Rueda, presidente do União Brasil, uma “rota de acesso a Alcolumbre”. O relatório também menciona uma “desavença conhecida” entre Mendonça e Alcolumbre, que remonta a 2021. Na época, Alcolumbre, como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, defendeu a indicação de Augusto Aras para o STF, mas o ex-presidente Jair Bolsonaro optou por seu então Advogado-Geral da União, André Mendonça. A insatisfação do senador teria levado a um atraso de mais de quatro meses na sabatina de Mendonça.
Estratégia para anistia e pedido de investigação
A PF levanta a hipótese de que a suposta estratégia de Mendonça visaria “ampliar seu poder no Supremo Tribunal Federal” e “aumentar as chances de fazer prosperar as visões do grupo político do qual faz parte”. Essa manobra estaria ligada à possibilidade de uma anistia ampla para os crimes cometidos durante a “recente tentativa de golpe de Estado”. Diante dessas constatações, Alexandre de Moraes solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a investigação de Mendonça no inquérito das fake news, que apura ameaças contra membros da Corte. Moraes considera que as ações de Mendonça podem configurar crimes de responsabilidade e abuso de autoridade.
