Pedido de prisão contra Andrei Rodrigues surge em meio a crise no STF
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, tornou-se alvo de um pedido de prisão preventiva. A solicitação foi apresentada pelo partido Novo após a divulgação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de relatos sobre um depoimento reservado do próprio Vorcaro.
O partido protocolou o pedido nesta quinta-feira (3), complementando uma solicitação anterior de afastamento de Rodrigues do cargo. Ambos os documentos, que tiveram o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, expõem uma relação de proximidade entre Vorcaro e membros do Judiciário, levantando suspeitas de possível interferência em investigações e obtenção de informações privilegiadas.
As novas alegações baseiam-se em relatos de um depoimento reservado de Vorcaro ao gabinete de Mendonça. Segundo o banqueiro, agentes da PF teriam proferido ameaças a ele, agindo em nome de Andrei Rodrigues. A tese defendida pelo partido Novo é que tais ações teriam o objetivo de impedir o avanço de uma eventual delação premiada que poderia incriminar o diretor-geral da PF.
A petição apresentada pelo partido aponta indícios de crimes como impedimento ou embaraço de investigação criminal, corrupção passiva e advocacia administrativa. A Polícia Federal foi contatada para se manifestar sobre o caso.
Crise no STF se aprofunda com revelações
A divulgação da proximidade entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes desencadeou uma das maiores crises na história do Supremo Tribunal Federal. A repercussão internacional foi significativa, com o jornal espanhol El País classificando o episódio como uma “bomba atômica” e o argentino La Nación como um “terremoto político”.
Em resposta, o presidente do STF, Edson Fachin, comprometeu-se a analisar o caso e anunciar as medidas cabíveis “no tempo devido e sem precipitação”. Fachin ressaltou que “os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional”, mencionando “circunstâncias relacionadas à atuação processual” e “sérios elementos de fatos”. O ministro enfatizou que “a elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades”.
Durante a primeira sessão do STF após a queda do sigilo, os ministros discutiram temas como a cobrança de PIS e Cofins sobre investimentos de seguradoras, sem que houvesse qualquer menção pública ao escândalo envolvendo Moraes e Mendonça.
Andrei Rodrigues mencionado em mensagem de Vorcaro
Uma mensagem de 30 de outubro de 2025, enviada por Vorcaro a Moraes, revela a preocupação do banqueiro com a pressão que estaria sofrendo de integrantes do Banco Central (BC) e de órgãos de controle. Vorcaro menciona que diretores do BC, possivelmente incluindo o presidente Gabriel Galípolo, estariam sob pressão da PF e do Ministério Público Federal (MPF) para agir contra o Banco Master.
Na comunicação, Vorcaro expressa a necessidade de reforçar a comunicação com Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para evitar “sacanagens”. Ele se coloca à disposição para esclarecer qualquer ponto, mas pede que não haja “sacanagem”. O banqueiro também informou que enviaria os nomes de pessoas que estariam indo ao Banco Central alegando que fariam algo em breve.
Dez minutos após a primeira mensagem, Vorcaro lista sete nomes, sendo cinco da PF e três da PGR, indicando pessoas identificáveis que teriam atuado na pressão sobre o Banco Master.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Gazeta do Povo.
