Mudanças nos horários das refeições durante o fim de semana podem afetar a saúde cardiovascular masculina, de acordo com uma nova pesquisa. O estudo francês sugere que a discrepância entre os horários das refeições durante a semana e nos dias de folga, um fenômeno apelidado de “jet lag alimentar”, pode desregular o relógio biológico e aumentar o risco de problemas cardíacos em homens.
O churrasco de sábado ou o brunch de domingo, para além do que é consumido, podem ter um impacto na saúde masculina devido ao horário em que são realizados. Pesquisadores franceses publicaram na revista científica Communications Medicine um estudo indicando que homens que variam significativamente seus horários de refeição entre dias úteis e fins de semana apresentam maior propensão a desenvolver doenças cardiovasculares. Esse padrão de desregulação foi denominado “jet lag alimentar”.
A pesquisa, que analisou dados de mais de 100 mil adultos acompanhados por cerca de oito anos, observou que, quanto maior a irregularidade nos horários alimentares, maior o risco cardiovascular entre os homens. Especificamente, cada aumento no nível de “jet lag alimentar” foi associado a um risco 14% maior de doença cardiovascular e 21% maior de doença coronariana no público masculino. Curiosamente, essa correlação não foi encontrada em mulheres na mesma amostra.
Os autores do estudo, que utilizou dados do extenso estudo francês NutriNet-Santé, ainda buscam entender as razões exatas para essa diferença de gênero, mas levantam hipóteses relacionadas a variações hormonais, metabólicas e no funcionamento do sistema circadiano.
Um achado adicional da pesquisa foi que tanto adiantar quanto atrasar significativamente os horários das refeições nos fins de semana esteve ligado a um aumento do risco cardiovascular em homens. Isso sugere que a regularidade é o fator mais crucial, independentemente de as refeições serem mais cedo ou mais tarde. A associação foi ainda mais pronunciada em indivíduos que já tinham o hábito de fazer a primeira refeição do dia mais tarde, reforçando a ligação entre horários tardios de alimentação e indicadores de saúde metabólica menos favoráveis.
Qualidade da dieta e outros fatores não explicam a associação
É importante notar que os resultados da pesquisa se mantiveram mesmo após os cientistas considerarem diversos outros fatores. Qualidade da alimentação, consumo de álcool e tabagismo, nível de atividade física, índice de massa corporal (IMC), duração do sono e até mesmo o “jet lag social” – a diferença nos horários de sono entre dias de semana e fins de semana – foram levados em conta. A persistência da associação sugere que o impacto das alterações nos horários das refeições sobre o relógio biológico é um elemento independente e relevante.
Os pesquisadores acreditam que as mudanças frequentes na rotina alimentar afetam o relógio biológico, que regula funções vitais como metabolismo, pressão arterial, produção hormonal e a saúde cardiovascular. No entanto, os autores ressaltam que o estudo é de natureza observacional, não estabelecendo uma relação direta de causa e efeito. Além disso, a amostra continha uma maioria de mulheres e indivíduos com maior nível de escolaridade.
A principal conclusão aponta para a importância de manter horários consistentes para as refeições, inclusive nos fins de semana, como uma estratégia potencial para a prevenção de doenças cardiovasculares, especialmente para os homens. Novos estudos serão necessários para confirmar essas descobertas e detalhar os mecanismos envolvidos.
