Exposição a casos de suicídio quase triplica risco em jovens, aponta estudo
Exposição a casos de suicídio quase triplica risco em jovens, aponta estudo

Exposição a casos de suicídio quase triplica risco em jovens, aponta estudo

Novo estudo revela a perigosa influência do contágio social em tentativas de suicídio entre adolescentes e jovens adultos. A exposição a uma tentativa de suicídio dentro do círculo de convivência de um jovem pode quase triplicar o risco de ele próprio tentar tirar a própria vida. Esta é a principal conclusão de um estudo recente […]

Resumo

Novo estudo revela a perigosa influência do contágio social em tentativas de suicídio entre adolescentes e jovens adultos.

A exposição a uma tentativa de suicídio dentro do círculo de convivência de um jovem pode quase triplicar o risco de ele próprio tentar tirar a própria vida. Esta é a principal conclusão de um estudo recente publicado na renomada revista científica Jama (The Journal of the American Medical Association). A pesquisa, que acompanhou cerca de 2.000 participantes com idades entre 13 e 22 anos por dois anos, buscou entender o surgimento de primeiras manifestações de ideação suicida em indivíduos sem histórico prévio da condição.

A dimensão interpessoal do suicídio, especialmente acentuada durante a adolescência, é um fator crucial para a compreensão desses achados. Segundo Laiana Quagliato, psiquiatra e pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), os jovens tendem a observar e espelhar comportamentos de enfrentamento de sofrimento de pessoas com quem se identificam, como colegas, familiares ou até mesmo figuras públicas.

Os resultados do estudo são alarmantes: jovens expostos a casos de suicídio em suas redes sociais apresentaram um risco quase três vezes maior de tentativas em comparação com aqueles que não tiveram essa exposição. Mesmo após um ajuste estatístico para isolar o impacto de sintomas depressivos, o risco permaneceu 2,5 vezes maior, indicando que a saúde mental, embora relevante, não explica o fenômeno por completo.

É importante ressaltar que o estudo não afirma que a exposição seja a única causa de uma nova tentativa, mas sim um fator de risco significativo. Outros elementos, como ambientes familiares disfuncionais, condições socioeconômicas desfavoráveis, bullying, uso de substâncias e eventos traumáticos, podem atuar conjuntamente, aumentando a vulnerabilidade.

Superando o tabu e buscando soluções

Historicamente, o medo do contágio gerou um silêncio prejudicial em torno do suicídio. No entanto, profissionais de saúde mental têm trabalhado para desmistificar o tema e implementar estratégias de prevenção. A psicóloga Andréia Garbin, docente da USP (Universidade de São Paulo), destaca a importância de diretrizes para uma abordagem cuidadosa e de intervenções estruturadas, como a posvenção.

A posvenção consiste em ações de suporte e acolhimento em comunidades afetadas por tentativas ou óbitos por suicídio, como escolas, universidades e empresas. Quando bem executada, essa estratégia atua como uma barreira ao contágio, oferecendo escuta qualificada para identificar e amparar indivíduos em sofrimento. “A posvenção faz um chamamento para um processo de cuidado e acolhimento coletivo”, explica Garbin, enfatizando a necessidade de criar espaços seguros para a expressão de luto e sofrimento.

Em casa, a promoção de um diálogo aberto e livre de preconceitos entre pais e filhos é fundamental para que os jovens se sintam à vontade para verbalizar seus sentimentos. O estudo também reforça o valor da proximidade física, indicando que redes de amigos presenciais maiores estão associadas a menos sintomas depressivos.

Políticas públicas e apoio em larga escala

Revisões de práticas adotadas em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália apontam para estratégias eficazes, como programas de treinamento em ambientes de trabalho, grupos de apoio conduzidos por voluntários e pares treinados, e modelos de saúde pública que personalizam o cuidado em múltiplos níveis.

Garbin alerta para a necessidade de adoção de protocolos de saúde pública no Brasil, que tem registrado um aumento preocupante nos casos. Em 2021, mais de 15 mil óbitos por suicídio foram registrados no país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que para cada suicídio consumado, ocorrem pelo menos vinte tentativas, com um impacto psicológico e social significativo em cerca de cinco a seis pessoas próximas.

O Brasil acompanha uma tendência regional alarmante: o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 10 a 24 anos nas Américas. Embora homens ainda sejam a maioria das vítimas, as taxas de aumento são mais intensas entre as mulheres jovens. Em face deste cenário, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia, sendo um recurso vital para quem busca ajuda.

Onde encontrar ajuda:

  • CVV (Centro de Valorização da Vida): Oferece apoio emocional e prevenção do suicídio pelo telefone 188 (24h), site e chat.
  • Instituto Vita Alere: Promove grupos de apoio, cartilhas informativas e cursos para profissionais.
  • Abrases (Associação Brasileira dos Sobrevivente Enlutados por Suicídio): Disponibiliza materiais informativos e indica grupos de apoio pelo país.

Em momentos de sofrimento emocional ou ideação suicida, buscar apoio profissional em serviços de saúde é fundamental. Situações de crise ou risco imediato requerem atendimento de urgência ou emergência.

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