Avenida Paulista é palco de tensão com disputa entre manifestantes de esquerda e direita.
Um protesto convocado por centrais sindicais na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (30), para defender o fim da escala de trabalho 6×1, foi interrompido por confrontos entre grupos políticos. A manifestação, que reunia trabalhadores em defesa da redução da jornada semanal, viu o clima esquentar com a chegada de grupos de direita, resultando em agressões e um registro policial. Ninguém foi detido.
O incidente mais notório ocorreu quando um homem de 70 anos e um adolescente de 17 anos se desentenderam após o jovem se aproximar para entrevistá-lo, segundo relatos. Um grupo de videomakers estava presente para cobrir as entrevistas. A Polícia Militar interveio para separar os envolvidos e encaminhou ambos para o 78º Distrito Policial, nos Jardins. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi registrado como vias de fato, lesão corporal e injúria, e os envolvidos foram liberados posteriormente.
Paralelamente, outro foco de tensão surgiu quando um grupo de direita, que realizava campanha na avenida, relatou a destruição de um boneco representando o ex-presidente Lula, vestido de presidiário. Carlo Cauti, candidato a deputado estadual pelo Novo, acusou apoiadores de Jr. Freitas (PSOL) de participarem da ação. Cauti publicou imagens do boneco destruído, lamentando o que descreveu como um ambiente hostil para a distribuição de material de campanha.
Em resposta, Jr. Freitas, que se autodenomina “motoboy do Lula”, divulgou um vídeo afirmando ter enfrentado “fascistas” durante o ato. Ele mencionou o combate a adversários, indicando que não se pode ignorar a presença desses grupos.
A luta pela redução da jornada de trabalho
A manifestação principal tinha como objetivo principal pressionar pela aprovação do fim da escala 6×1, uma proposta que já passou pela Câmara dos Deputados e aguarda análise no Senado. O projeto de lei em questão prevê a redução progressiva da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, além de garantir dois dias de repouso remunerado.
O ato ocorria em meio à expectativa de votação da proposta pelos senadores na semana seguinte. A escala 6×1, que permite seis dias de trabalho contínuos seguidos por um de folga, é criticada por centrais sindicais e trabalhadores por seu impacto na saúde e bem-estar, especialmente em jornadas exaustivas.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo e pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).
