Indústria prevê risco de 109 mil empregos com fim da 'taxa das blusinhas'
Indústria prevê risco de 109 mil empregos com fim da ‘taxa das blusinhas’

Indústria prevê risco de 109 mil empregos com fim da ‘taxa das blusinhas’

Indústria alerta para impacto econômico e de empregos com fim da tributação sobre compras internacionais A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu um alerta nesta quarta-feira (26) sobre as potenciais consequências do fim da chamada “taxa das blusinhas”, a isenção do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50. Segundo a entidade, essa […]

Resumo

Indústria alerta para impacto econômico e de empregos com fim da tributação sobre compras internacionais

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu um alerta nesta quarta-feira (26) sobre as potenciais consequências do fim da chamada “taxa das blusinhas”, a isenção do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50. Segundo a entidade, essa medida pode comprometer cerca de 109 mil empregos e diminuir a produção industrial brasileira em aproximadamente R$ 21,8 bilhões no ano de 2026. A CNI argumenta que a retirada da taxação tende a impulsionar as encomendas vindas do exterior, aumentando a concorrência para a indústria nacional.

Atualmente, a cobrança de 20% sobre essas importações está suspensa desde maio, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar uma medida provisória que prevê o fim definitivo da tributação. Contudo, a proposta precisa ser votada pelo Congresso Nacional até 8 de setembro. Caso contrário, a medida perderá a validade, e a cobrança do imposto será restabelecida menos de um mês antes do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 6 de outubro.

O economista Márcio Guerra, superintendente de Economia da CNI, explica que o imposto funcionava como um mecanismo para mitigar a desigualdade tributária entre produtos nacionais e importados. “Com o imposto em vigor, o consumo que hoje vai para compras internacionais por meio do Programa Remessa Conforme seria direcionado a produtos e serviços produzidos no Brasil. O imposto funcionava como uma redução parcial da assimetria tributária entre a produção doméstica e os similares importados”, afirmou Guerra. A CNI defende a manutenção da cobrança como forma de preservar a competitividade da indústria brasileira.

Projeções de impacto e próximos passos no Congresso

A CNI projeta um aumento expressivo no volume de pequenas encomendas internacionais. Para 2026, estima-se a entrada de 249,5 milhões de pacotes pelo Programa Remessa Conforme, um crescimento de 56,3% em relação a 2025. Com a manutenção do imposto, a projeção seria de 194,9 milhões de remessas, indicando que o fim da taxação pode elevar o volume em 28%. Em valores monetários, as importações de pequeno valor poderiam atingir R$ 23,6 bilhões em 2026, contra R$ 16,6 bilhões caso a tributação fosse mantida, representando um aumento de 42,3% no valor das compras internacionais.

O setor de transformação é apontado como o mais vulnerável ao avanço das importações, especialmente nos segmentos de eletrônicos, vestuário e outros bens de consumo. A CNI calcula que para cada R$ 1 importado via Remessa Conforme, deixam de ser gerados R$ 3,11 nas cadeias produtivas brasileiras. A proposta de fim da taxação será analisada por uma comissão mista no Congresso, que deve ser instalada na próxima terça-feira (1º), após acordo entre o presidente Lula e os líderes da Câmara e do Senado. O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) foi indicado para presidir o colegiado.

Outras entidades representativas do comércio e da indústria, como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), também se manifestaram contrárias à isenção total da taxa. Representantes dessas organizações já buscaram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para solicitar que a discussão da matéria seja adiada para após o período eleitoral.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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