Governador do Maranhão, Carlos Brandão, contesta decisão de Flávio Dino e levanta suspeitas sobre imparcialidade do ministro no STF.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), criticou veementemente a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, de remover o sigilo de investigações da Polícia Federal que atingem aliados e familiares do chefe do executivo estadual. Brandão classificou a medida como parte de um plano de “falsas acusações” e questionou a isenção de Dino, referindo-se a ele como um “adversário político”. A tensão entre os dois políticos, que já foram aliados, escalou após um rompimento público no final de 2024.
Em publicações nas redes sociais nesta sexta-feira (14), Brandão expressou sua indignação: “Não há sigilo nesses perseguidores para inventarem tantos absurdos, mas devia haver impedimento de julgar quem é tratado como adversário. Tenho confiança de que a verdade prevalecerá”. A defesa do governador, em nota divulgada no sábado (15), também levantou dúvidas sobre a competência de Dino para conduzir a investigação, argumentando que o caso deveria tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância responsável por julgar governadores, devido à prerrogativa de foro.
Rompimento político e suposta perseguição
A relação entre Brandão e Dino remonta a 2018, quando Dino foi eleito governador do Maranhão com Brandão como seu vice. No entanto, a aliança política chegou ao fim publicamente no final de 2024. Segundo Brandão, a suposta perseguição que ele afirma sofrer teve início neste ano, após ter rejeitado o que descreveu como “propostas indecorosas”. O governador enfatizou que “falsas acusações não cabem a quem não tem culpa” e, em um vídeo divulgado nas redes sociais, declarou que as acusações e ações judiciais contra ele surgiram “só depois do distanciamento político entre dois grupos do Maranhão”.
Brandão reiterou a integridade de sua trajetória: “Tudo que construí na vida — a minha trajetória, a minha família, o meu patrimônio — foi construído com muito trabalho. Não aceito que queiram jogar a minha história na lama”. A defesa do governador também criticou o acesso seletivo aos autos do inquérito, apesar de a defesa não ter acesso à integralidade do processo.
Investigações e polêmicas recentes
As investigações da Polícia Federal mencionadas por Brandão estão ligadas ao homicídio do empresário João Bosco, ocorrido em São Luís em 2022. A suspeita é que o crime esteja relacionado a desentendimentos na divisão de vantagens indevidas provenientes de esquemas de corrupção no estado. Um dos alvos da investigação é o senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado de Brandão, que é investigado por supostamente ter atuado para obstruir as apurações sobre o assassinato. O caso chegou ao STF devido ao foro privilegiado do senador.
A investigação envolvendo Weverton Rocha tornou-se pública após Flávio Dino retirar o sigilo de apurações que também atingiram o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim. Cutrim foi alvo de busca e apreensão no início da semana por ter sido a fonte de uma reportagem que denunciava o suposto uso irregular de carros oficiais por Dino, o que o ministro negou. A defesa de Brandão assegurou que buscará a preservação das “garantias constitucionais do juiz natural”, especialmente diante da “possível ocorrência simultânea de usurpação da competência constitucionalmente atribuída ao Superior Tribunal de Justiça e de interferência em atribuições reservadas ao Ministério Público”.
