Daniel Vorcaro busca terceira via para colaboração premiada
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso novamente, reformula sua estratégia jurídica em uma terceira tentativa de obter um acordo de colaboração premiada com o Supremo Tribunal Federal (STF). Após tentativas anteriores de anular o processo ou negociar com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) sem sucesso, o banqueiro contratou novos advogados com o objetivo de restabelecer o diálogo com o ministro André Mendonça e conseguir sua liberdade.
A nova abordagem da defesa abandona o foco exclusivo em falhas técnicas processuais e concentra todos os esforços em uma proposta de colaboração premiada, descrita como inédita e mais robusta. A intenção é reconstruir a confiança com as autoridades, demonstrando total transparência. Para liderar essa negociação diretamente com o STF, o renomado advogado criminalista Daniel Bialski assumiu a linha de frente. A meta não é apenas renegociar termos já recusados, mas sim recomeçar do zero, permitindo que Vorcaro detalhe por longas horas diárias o funcionamento completo do esquema no Banco Master.
As informações foram apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
Rejeições anteriores e o ceticismo institucional
As propostas anteriores de colaboração de Daniel Vorcaro foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela PGR por três motivos principais, que geraram irritação entre os investigadores. Em primeiro lugar, Vorcaro se recusava a admitir formalmente a autoria dos crimes, um passo fundamental para qualquer acordo de delação. Em segundo lugar, faltou clareza sobre a destinação dos recursos desviados e os valores que seriam ressarcidos aos cofres públicos. Por fim, os investigadores apontaram que o banqueiro não apresentou fatos novos, limitando-se a informações que já haviam sido descobertas pela polícia através da análise de dispositivos apreendidos na operação.
Atualmente, o cenário é de forte resistência e ceticismo por parte das instituições. Na PGR, a percepção interna é de que as chances de negociação com Vorcaro estão esgotadas. Os investigadores consideram que, por se tratar da terceira tentativa, o movimento é puramente calculado e carece da espontaneidade necessária para a concessão de benefícios judiciais. O próprio ministro André Mendonça já sinalizou anteriormente que não tem interesse em uma delação. A defesa, no entanto, acredita que, ao apresentar provas verdadeiramente inéditas e assumir suas responsabilidades, poderá reverter essa indisposição e obter ao menos a prisão domiciliar.
Pressão familiar e a dimensão da fraude
A pressão sobre Daniel Vorcaro é intensificada pelo fato de que três familiares próximos também estão presos em decorrência do colapso do Banco Master. Seu pai, Henrique Vorcaro, um primo e um cunhado estão detidos. Todos são alvos da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes estimadas em R$ 60 bilhões. Essa delicada situação familiar é vista por investigadores como um dos principais fatores que levam Vorcaro a insistir na busca por um acordo de colaboração, na esperança de aliviar não apenas sua própria condição carcerária, mas também a de seus parentes envolvidos nas apurações da fraude financeira.
