Bebê Noah, dado como morto por 3 horas, recebe alta em SP
Bebê Noah, dado como morto por 3 horas, recebe alta em SP

Bebê Noah, dado como morto por 3 horas, recebe alta em SP

Milagre em Bauru: Bebê Noah é liberado do hospital após ser dado como morto O bebê Noah Gabriel da Cruz Santos, que surpreendeu a equipe médica e sua família ao apresentar sinais vitais após ser declarado morto por cerca de três horas, recebeu alta hospitalar nesta quinta-feira (13). A notícia foi confirmada pelo Hospital das […]

Resumo

Milagre em Bauru: Bebê Noah é liberado do hospital após ser dado como morto

O bebê Noah Gabriel da Cruz Santos, que surpreendeu a equipe médica e sua família ao apresentar sinais vitais após ser declarado morto por cerca de três horas, recebeu alta hospitalar nesta quinta-feira (13). A notícia foi confirmada pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru, onde o recém-nascido estava internado desde 17 de julho. A família comemorou o momento nas redes sociais: “Depois de tantos dias de luta, orações e milagres, hoje nosso pequeno Noah finalmente está em casa!”.

Noah segue com uma sonda e, para auxiliar nos cuidados contínuos, amigos da família iniciaram uma campanha de arrecadação para cobrir despesas de hospedagem, alimentação e transporte. O bebê nasceu com uma malformação no palato e continuará seu tratamento orofacial pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no ‘Centrinho’ do HC-Bauru. O hospital, por sua vez, emitiu nota afirmando que, por respeito ao sigilo médico e à privacidade do paciente, não fornecerá detalhes sobre o caso.

O Fenômeno de Lázaro e a raridade do caso de Noah

Segundo a pediatra Priscilla Meirelles, docente da Faculdade Santa Marcelina, o quadro de Noah, embora ainda sem confirmação científica exata, assemelha-se ao chamado “fenômeno de Lázaro”. Este é um evento extremamente raro na medicina, com menos de dez casos registrados em bebês ao longo de 40 anos. A peculiaridade do caso de Noah reside no tempo prolongado de parada cardiorrespiratória (PCR) antes da retomada dos sinais vitais, algo incomum, já que a maioria dos casos documentados ocorre em minutos.

A médica explica que o fenômeno de Lázaro pode estar associado a uma resposta tardia do organismo à adrenalina, medicamento utilizado em reanimações. No caso de Noah, a malformação congênita do palato também pode ter dificultado a avaliação clínica e a ausculta, contribuindo para a complexidade do quadro. “Não podemos deixar de considerar que o Noah nasceu com uma malformação também, o palato, que também prejudica muito a respiração”, ressalta Meirelles.

Entendendo os protocolos de declaração de óbito pediátrico

A declaração de óbito em pediatria segue parâmetros rigorosos, que incluem a ausência de resposta neurológica a estímulos luminosos, queda acentuada da temperatura corporal e frequência cardíaca zerada. Quando uma criança apresenta parada cardiorrespiratória, ausência de respiração e pupilas dilatadas, os protocolos determinam um período de ressuscitação de, no mínimo, 40 minutos. Após esse tempo, a criança deve permanecer sob monitoramento em unidade de terapia intensiva por mais 20 a 30 minutos.

A ausculta cardíaca, realizada com estetoscópio, é crucial para confirmar a ausência de batimentos. Em casos como o de Noah, onde a malformação respiratória pode ser um fator, a avaliação detalhada é ainda mais importante. A pediatra afirma que, com base nas informações e relatos disponíveis, todos os procedimentos de praxe foram seguidos antes que o bebê fosse considerado em óbito. O pai de Noah relatou que o corpo do bebê chegou a ficar frio e com a musculatura mais rígida, sinais tardios de óbito, antes de ser levado ao necrotério, onde permaneceu por aproximadamente duas horas.

Um milagre ainda sem explicação científica

O caso de Noah se tornou um marco de esperança para a família e um enigma para a ciência. A possibilidade de o bebê ter voltado a respirar espontaneamente antes mesmo de ser percebido no necrotério, desafia explicações médicas convencionais. A Dra. Meirelles, mesmo comparando o caso ao fenômeno de Lázaro, admite a dificuldade em classificar o evento de Noah devido à duração incomum da parada. Uma busca aprofundada na literatura médica não apresentou precedentes que expliquem completamente o ocorrido com o recém-nascido.

Noah nasceu em 15 de julho na Santa Casa de Rio Claro e, no mesmo dia, apresentou uma piora clínica evoluindo para parada cardiorrespiratória. Após cerca de 45 minutos de manobras de reanimação, a equipe médica declarou o óbito no final da tarde. Cerca de três horas depois, uma agente funerária percebeu movimentação e sons no saco mortuário, encontrando o bebê reanimado. No dia 17 de julho, Noah foi transferido para o HC de Bauru, onde, em 31 de julho, passou a respirar sem auxílio de aparelhos, recebendo alta aos 29 dias de vida.

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