Colesterol alto: especialistas reforçam que dieta e exercício são a chave para controle
Colesterol alto: especialistas reforçam que dieta e exercício são a chave para controle

Colesterol alto: especialistas reforçam que dieta e exercício são a chave para controle

A luta contra o colesterol alto passa, invariavelmente, pela adoção de hábitos saudáveis. Especialistas enfatizam que, embora medicamentos sejam importantes em situações específicas, a base do tratamento reside na combinação de uma dieta balanceada e a prática regular de atividades físicas. O colesterol desregulado pode circular silenciosamente pelo corpo por anos, acumulando-se nas artérias e […]

Resumo

A luta contra o colesterol alto passa, invariavelmente, pela adoção de hábitos saudáveis. Especialistas enfatizam que, embora medicamentos sejam importantes em situações específicas, a base do tratamento reside na combinação de uma dieta balanceada e a prática regular de atividades físicas. O colesterol desregulado pode circular silenciosamente pelo corpo por anos, acumulando-se nas artérias e elevando o risco de infartos, AVCs e outras doenças cardiovasculares graves.

“O colesterol pode ser tratado com uma combinação de atitudes, como controle de peso e atividade física. Esse é o pilar do tratamento não medicamentoso”, afirma o cardiologista Márcio Miname, membro do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Ele ressalta que, mesmo quando o uso de fármacos é indicado, a alimentação continua sendo um fator crucial. “O indivíduo tem que seguir uma dieta evitando gordura saturada e gordura trans.”

A aposentada Márcia Regina Spercasechi Dutra, 68, é um exemplo do impacto que o colesterol descontrolado pode ter. Após um infarto em 2001, precisou passar por cirurgias cardíacas, incluindo a troca de válvula e a colocação de pontes de safena. Seu nível de LDL (colesterol ruim) chegou a quase 500 mg/dL, quando o ideal para ela era abaixo de 70 mg/dL ou 50 mg/dL. “Depois do infarto, a gente nunca volta a ser a mesma. Passei muito mal, fiquei na UTI, em coma. Quem tem esse colesterol, por favor, se cuide, é horrível”, relata.

O colesterol LDL é considerado perigoso por sua capacidade de se acumular nas artérias, formando placas de gordura, cálcio e outras substâncias. Essa condição, conhecida como aterosclerose, é uma inflamação crônica que pode levar a eventos cardiovasculares fatais. Para Márcia, a dieta se tornou restritiva, com a exclusão de frituras, frios e laticínios. “Quase nada. É difícil fazer o regime, a gente se sente obrigada, mas tem de fazer”, desabafa.

A importância da mudança de estilo de vida

A endocrinologista Cristina Formiga Bueno, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo (SBEM-SP), explica que o colesterol alto geralmente não apresenta sintomas, mas seus efeitos lesivos nas artérias são contínuos. “Ele continua lesionando as artérias ao longo dos anos, formando placas de gordura que se calcificam e promovem um aumento do risco cardiovascular”, alerta.

Quando o quadro não exige intervenção medicamentosa imediata, a mudança de estilo de vida se torna o principal tratamento. Bueno recomenda a máxima “abrir menos embalagens e descascar mais”, priorizando uma alimentação rica em fibras, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais. A redução do consumo de alimentos ultraprocessados e gorduras saturadas também é fundamental para diminuir a absorção de colesterol da dieta.

“O que mais influencia na dieta para combater o colesterol é a substituição de gorduras saturadas por gorduras insaturadas. Trocar a carne vermelha por peixe e óleos em geral por azeite”, complementa Miname. A prática regular de atividade física, com pelo menos 150 minutos semanais, é outro pilar essencial, visando a manutenção ou ganho muscular e a perda de peso, quando necessária.

Parar de fumar e controlar comorbidades como obesidade, esteatose hepática (gordura no fígado) e diabetes também contribuem significativamente para a redução do colesterol. Segundo Bueno, essas mudanças podem, em algumas pessoas, reduzir os níveis de forma expressiva, permitindo uma reavaliação da necessidade de tratamento medicamentoso após cerca de três meses.

Medicamentos: um complemento necessário em alguns casos

Em situações específicas, como no caso de Márcia Dutra, o uso de medicamentos para o controle do colesterol é indispensável e, muitas vezes, vitalício. Isso ocorre em quadros raros de acúmulo de LDL ou quando o corpo tem dificuldade em eliminar naturalmente essa gordura. “Quando há indicação médica, não se deve fugir do tratamento farmacológico, porque isso vai ser uma proteção”, assegura Miname. Ele reforça que a medicação adequada reduz o risco de infarto, AVC e outros problemas cardíacos.

Grupos de risco mais elevados, como indivíduos que já sofreram infarto ou possuem histórico de problemas cardíacos, diabetes, fumantes ou pessoas em tratamento contínuo para hipertensão, têm maior probabilidade de necessitar de medicação. A predisposição genética e a alta carga de placas de gordura detectadas em exames também são fatores determinantes.

“Quando o médico indica um medicamento, isso significa que o risco de infarto ou AVC é alto o suficiente para que os benefícios superem os riscos. Os remédios não substituem um estilo de vida saudável: eles complementam o tratamento”, avalia Bueno.

A importância dos exames periódicos é ilustrada pelo caso do empresário Paulo Sérgio, 56. Apesar de um estilo de vida aparentemente saudável, ele sofreu um infarto em 2019, sendo surpreendido por uma condição genética de produção elevada de colesterol ruim. “Meu organismo estava produzindo colesterol ruim. E era uma fase que eu estava sem os meus checkups, não sabia dessa minha condição genética”, relembra.

Paulo Sérgio necessita de medicação contínua, mas intensificou a rotina de exercícios e aprimorou a dieta. “Desde a minha cirurgia tenho uma vida normal e sem restrições, mas passei por um risco de morte que poderia ter sido evitado com a realização de alguns exames laboratoriais simples”, reflete. As informações foram reunidas a partir de declarações de especialistas e relatos de pacientes em reportagem.

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