Senador cearense pede investigação sobre colega piauiense em meio a acusações de favorecimento ao Banco Master.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) protocolou uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal, solicitando a abertura de um processo disciplinar contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A denúncia, que alega quebra de decoro parlamentar, está fundamentada em elementos da Operação Compliance Zero da Polícia Federal e se refere a suspeitas de favorecimento ao Banco Master.
Segundo a representação, Ciro Nogueira teria apresentado uma emenda parlamentar que aumentava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A investigação aponta que o texto da emenda teria sido elaborado pela própria assessoria do Banco Master, entregue ao senador em envelope fechado e posteriormente reproduzido integralmente no Senado. A ação de Girão visa a “passar o Brasil a limpo”, conforme declarou o senador.
As acusações contra Nogueira não se limitam à emenda. A representação também menciona supostos indícios de repasses mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao senador, além da aquisição de participação societária com deságio significativo em uma empresa ligada ao irmão do parlamentar. As informações foram antecipadas pelo programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo.
Ciro Nogueira nega irregularidades e aponta motivação eleitoral
Procurado pela reportagem para comentar a representação, o senador Ciro Nogueira não se manifestou até o momento, e o espaço permanece aberto para sua resposta. Em ocasiões anteriores, quando surgiram as primeiras informações sobre sua suposta ligação com o esquema, Nogueira atribuiu o vazamento de dados a tentativas de prejudicá-lo em virtude da proximidade do período eleitoral, afirmando que buscam “parar quem lidera em intenção de votos”.
Conselho de Ética paralisado dificulta andamento das denúncias
A representação contra Ciro Nogueira chega em um momento delicado para o Conselho de Ética do Senado. O colegiado está sem funcionamento desde julho de 2024 devido à falta de designação de seus integrantes e de sua instalação pela Presidência da Casa. Essa paralisação impede a análise de ao menos 19 representações, o que levou a oposição a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de destravar a pauta.
Entre os senadores cujas representações aguardam análise estão nomes como Soraya Thronicke (Podemos-MS), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Marcos do Val (Podemos-ES), Giordano (MDB-SP), Jorge Seif (PL-SC), Marcos Rogério (PL-RO), Plínio Valério (PSDB-AM) e Eduardo Braga (MDB-AM). O próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também é alvo de representações. A situação do Conselho de Ética levanta questionamentos sobre a celeridade e a efetividade dos processos disciplinares contra parlamentares no Congresso Nacional.
