CNJ afasta por 60 dias desembargadores do TRF4 por descumprimento de ordens do STF na Lava Jato
CNJ afasta por 60 dias desembargadores do TRF4 por descumprimento de ordens do STF na Lava Jato

CNJ afasta por 60 dias desembargadores do TRF4 por descumprimento de ordens do STF na Lava Jato

Conselho Nacional de Justiça aplica sanção a desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, afastar por 60 dias os desembargadores Loraci Flores de Lima e Carlos Eduardo Thompson Flores Lens, ambos do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). A punição se deu em decorrência […]

Resumo

Conselho Nacional de Justiça aplica sanção a desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, afastar por 60 dias os desembargadores Loraci Flores de Lima e Carlos Eduardo Thompson Flores Lens, ambos do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). A punição se deu em decorrência do descumprimento de ordens diretas do Supremo Tribunal Federal (STF) em processos relacionados à Operação Lava Jato, especificamente em casos que envolviam o advogado Rodrigo Tacla Duran, ex-operador da Odebrecht.

A conduta que levou à sanção consistiu na desobediência a determinações dos ministros do STF Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Tais determinações haviam ordenado a suspensão de medidas penais impostas a Tacla Duran. Contudo, os desembargadores do TRF4, mesmo cientes das ordens de paralisação da Suprema Corte, prosseguiram anulando atos processuais e utilizando provas declaradas inválidas pelo STF, como dados obtidos de sistemas de propina da Odebrecht.

A pena aplicada pelo CNJ foi a de ‘disponibilidade’ por 60 dias. No entanto, os magistrados já haviam cumprido um afastamento cautelar de 70 dias entre abril e junho de 2024. Por essa razão, eles não serão novamente afastados de seus cargos neste momento. A penalidade financeira, que prevê o pagamento de salários proporcionais ao período de afastamento, ainda será executada.

Defesa alega tecnicidade e ausência de irregularidades

Durante o julgamento no CNJ, a defesa dos desembargadores sustentou a inexistência de irregularidades, pedindo que o caso fosse analisado sem uma conotação política. Os advogados argumentaram que os magistrados agiram com base em critérios técnicos, visando impedir a contaminação política de decisões tomadas na 13ª Vara Federal de Curitiba. O Ministério Público Federal também se manifestou contrário à punição, apontando a falta de provas concretas de infração disciplinar.

Fachin reforça hierarquia e responsabilidade judicial

O presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, justificou a manutenção da punição ao destacar que juízes não são infalíveis e devem ser responsabilizados por eventuais erros. Ele ressaltou que a punição é um dever para assegurar a hierarquia do Poder Judiciário, enfatizando a necessidade de que magistrados de instâncias inferiores respeitem estritamente as ordens das cortes superiores para a manutenção da integridade do sistema de justiça brasileiro. A decisão do CNJ visa garantir o cumprimento das determinações judiciais e a ordem dentro do judiciário, especialmente em casos de grande repercussão como os da Lava Jato.

As informações foram apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.

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